Holanda: Vacas Leiteiras Alimentadas com ‘Soja Responsável’ já em 2007

A maior empresa do sector lácteo holandês, a Campina, em parceria com três organizações não governamentais – WWF, Solidaridad e Natureza e Meio Ambiente – assinou recentemente um acordo que deve ‘mudar’ o sabor do leite que chega até ao consumidor holandês, além de melhorar as condições sociais e ambientais nas plantações doutros países.

A Campina anunciou que o leite que distribui e que estará disponível nas prateleiras dos supermercados da Holanda a partir de 2007 terá o ‘sabor’ da responsabilidade do social. De acordo com o projecto, já a partir de Setembro próximo,a empresa deve começar a utilizar ‘soja responsável’ na alimentação das vacas leiteiras cujo . A princípio, a empresa deve adquirir 10 mil toneladas de ‘soja responsável’ e pretende chegar a 150 mil toneladas dentro dos próximos cinco anos.

Jan Gilhuis, da ONG Solidaridad, explica o que isso representa para a agricultura dos países produtores de soja: “Duas coisas: primeiro, a produção de soja tem normalmente muitos efeitos sociais negativos na expansão da empresa agrícola, logo, a Campina ao comprar ‘soja responsável’ não alimenta esses problemas sociais,e depois pretende-se a inclusão da soja proveniente da agricultura familiar no projecto, o que ajuda a evitar o êxodo rural ou os problemas como ligados à posse da terra”.

Saúde, sustentabilidade, respeito pela natureza e autenticidade serão as quatro ‘patas’ da vaca, como diz a Campina, para a produção do leite a partir do próximo ano. Os holandeses consomem, por ano, cerca de 200 milhões de litros de leite produzidos pela empresa. Para tal, 600 dos cerca de 6 mil sócios da Campina vão adoptar os novos critérios de produção. Entre eles, o leite consumido na Holanda deve contar com o trabalho de camponeses holandeses e que as vacas, holandesas, devem receber ração produzida com soja certificada.

Jan Gilhuis explica os critérios de controlo: “O importante é que exista uma certificação, que se chama Pró-Terra neste momento. A Cert-ID (Brasil) é quem certifica esta soja com os critérios de Basileia. Da nossa parte, como entidades sociais e ambientais aqui na Holanda, vamos estar atentos à actuação da Campina e não apenas para controlar, mas também para procurar novas formas de implementação de um processo de trocas entre os produtores da soja do Sul e os produtores de leite, aqui na Holanda, até ao consumidor”.

Um quarto de todo o óleo vegetal produzido a nível mundial é fabricado a partir da soja. Além das vacas, porcos e aves da Europa e Ásia também se alimentam daquela leguminosa. Tal soja vem, em larga percentagem, da América Latina, onde a cada ano, milhões de hectares de floresta e mato são substituídos por aquela monocultura, fazendo com que os camponeses sejam obrigados, literalmente, a ceder espaço para a soja.

Soja Responsável (certificação Pro-Terra)
> Não pode ser transgénica
> Deve ser proveniente de propriedades onde não não foi efectuada desmatagem desde 1994
> Na produção não é utilizado trabalho infantil ou escravo
> Há um controlo rigoroso do uso de agroquímicos

Refere o site da Radio Nederland que essas e outras exigências fazem parte do programa dos denominados “Critérios de Basileia” para a Produção Responsável de Soja. A iniciativa é da Coop Switzerland, uma rede de distribuição da Suíça que pretende comercializar apenas produtos ecológica e socialmente responsáveis.

Para as ONG, o acordo celebrado com a Campina é um primeiro passo. Para uma mudança maior, segundo elas, torna.-se necessário que todas os compradores de soja façam parte deste processo. Por iniciativa de diversas entidades holandesas, que juntas formam a Coligaão Soja, o debate está apenas a começar. Em Agosto, no Paraguai, numa mesa-redonda formada por ONGs e empresas serão discutidos os critérios e as formas para se a realidade devastadora, imposta pelo agronegócio.

Jan Gilhuis, da Solidaridad, refere o que empresas holandesas de outros sectores já fizeram: “A associação de produtores de alimentação animal e de produtores de óleos e margarinas já se pronunciaram contra os excessos que são induzidos, tanto no meio ambiente, quanto socialmente nos países de origem. Algumas empresas desses sectores, contudo, não querem pronunciar-se publicamente sobre o assunto, ao contrário do que está a fazer agora a Campina.”

Novo standard para o leite
O serviço Agrodigital, sobre este mesmo assunto, refere que a Campina, cuja marca de leite é a mais vendida na Holanda, quer introduzir um novo conceito de leite. Será um leite de origem holandesa, produzido maioritariamente por vacas que pastam no exterior e alimentadas com soja verde.

Isto permitirá que possua uma composição de gordura muito mais equilibrada. Conterá cerca de 10 por cento menos de ácidos gordos saturados, 20 por cento mais de ácidos gordos não saturados e o dobro dos ácidos gordos Omega 3. Para assegurar essa composição mais equilibrada durante todo o año, foi decidido que 600 dos cerca 6.000 produtores que entregam leite à empresa terão que trabalhar, ao nível da sua exploração, para proporcionar leite com uma composição de ácidos gordos mais equilibrada.

Este novo tipo de leite estará nos lineares a partir da Primavera de 2007.

Fonte: Anil

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