A seca do ano passado condicionou a floração e esta a quantidade de mel produzido no Litoral Centro. Este ano há pouco mel, mas, garantem os apicultores, o que há é de boa qualidade e vão demonstrá-lo na Feira do Mel e do Pão do Luso, no próximo fim-de-semana. que lhes permitirá comercializar o próprio mel, a única forma de escoamento é mesmo a participação nestas feiras.
Será um mel com um leve travo amargo provocado pela urze o deste ano, já que a fraca floração originada pela seca limitou a esta flor a recolha de pólen pelas abelhas, tornando-se menor a influência da flor do eucalipto, uma das bases do mel produzido na região Centro. Outra consequência da falta de chuva é a menor quantidade de mel.
Unidade de embalamento
Em bons anos, os cerca de 50 membros da Associação de Apicultores do Litoral Centro, que reúne produtores dos municípios da Mealhada, Anadia, Coimbra, Montemor-o-Velho, Mira, Cantanhede, Penacova e Mortágua, conseguem ultrapassar as 20 toneladas, este ano, Nelson Miranda, técnico de apicultura, prevê que a produção se fique pela metade.
Na Feira do Mel e do Pão do Luso, que decorre de 12 a 15 de Agosto, estarão presentes 17 apicultores que, nesta como noutras semelhantes tentam escoar o mel produzido. Sem rótulo próprio, os apicultores ficam reduzidos “à venda artesanal” ou “à venda a granel” para Espanha.
Vítimas do fogo
Porém, o objectivo da Associação de Apicultores do Litoral Centro é colocar o mel dos associados no mercado, tendo para isso que criar uma unidade de extracção e embalamento. Esta ficará nos antigos matadouros do Luso. Rui Barrocas, presidente da Associação, conta dar início à obra ainda em 2006, “para que a unidade comece a funcionar em finais de 2007”.
Arlindo Cardoso é um dos apicultores que vai participar na feira. Apicultor há 50 anos, tem boa produção, mas apenas um terço da conseguida nos últimos anos, normalmente a rondar os 1200 quilos.
O maior revés à sua actividade sofreu-o o ano passado, quando o fogo nas serras do concelho de Anadia lhe consumiu 50 das 70 colmeias.
Já com algumas refeitas, por estes dias anda, como Alberto Moras, outro apicultor, atarefado no processo que vai da recolha até ao embalamento.
Nas bancas da Alameda do Casino, a clientela só quer saber de comprar “bom mel”, mas para isso há todo um saber fazer das colmeias à extracção, habitualmente entre Junho e Agosto, passando pela decantação.
Do licor ao sabonete
Além dos frascos de mel, do pólen, muito apreciado pelas vitaminas que possui, e dos licores e aguardentes de mel, de confecção caseira, os apicultores terão na banca produtos de beleza como champô, sabonete ou cremes, colheres próprias para tirar o mel, bolos e biscoitos, chá, e geleia real.
Em 2005, a feira registou uma baixa do volume de vendas. Este ano os apicultores esperam vender mais de 1000 quilos de mel.
Fonte: Jornal de Notícias
Segurança Alimentar Desde 2004 a tratar da Segurança Alimentar em Portugal