Uma vacina experimental contra o vírus H5N1 da gripe das aves passou com êxito o seu primeiro ensaio clínico em França, ao activar uma resposta imunológica «encorajante» em humanos, informa hoje a revista médica The Lancet.
Este protótipo de vacina, desenvolvido por cientistas franceses para o laboratório farmacêutico Sanofi Pasteur, foi elaborado a partir de uma estirpe do H5N1 isolada em 2004 no Vietname.
Trata-se de uma vacina experimental «pré-pandémica», por não ser ainda conhecida a estirpe que poderá desencadear uma pandemia humana de gripe das aves, precisam os cientistas na publicação médica britânica.
Os investigadores testaram o antídoto em 300 voluntários saudáveis, com idades entre 18 e 40 anos, aos quais administraram seis combinações da vacina em doses diferentes.
O ensaio clínico, dirigido por Melanie Saville e realizado em Franca, tinha por objectivo determinar se a vacina era segura e capaz de produzir anticorpos em humanos.
Os voluntários receberam uma de seis formulações da vacina em varias doses, e, nalguns casos, um composto adjuvante, hidróxido de alumínio.
Os cientistas concluíram que um regime de duas doses de 30 microgramas da vacina foi a combinação com melhores resultados, ao produzir o maior número de anticorpos ao fim de 42 dias.
Além disso, as vacinas estimuladas com o composto adjuvante foram as que melhor funcionaram.
Segundo a doutora Saville, o regime de duas doses de 30 microgramas com composto auxiliar «é seguro e induz uma resposta imunológica em linha com os preceitos reguladores da União Europeia para a produção de vacinas contra a gripe sazonal».
Todavia, como a própria cientista reconhece no artigo, não se sabe actualmente o nível de anticorpos necessário para proteger contra o H5N1.
A estirpe H5N1 da gripe das aves é a mais virulenta, por poder sofrer uma mutação que a torne transmissível entre humanos.
O vírus causou a morte de 115 pessoas em todo o mundo, a maioria das quais trabalhava ou vivia em contacto com aves.
Na mesma revista, cientistas norte-americanos do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças de Atlanta e da Faculdade de medicina da Clínica Mayo (Maryland) afirmam não ser ainda possível desenvolver uma vacina suficientemente poderosa para combater uma eventual pandemia.
E isso porque embora os laboratórios se esforcem por desenvolver possíveis antídotos para combater uma eventual pandemia, a vacina definitiva só poderá ser elaborada quando forem conhecidas as características do vírus que a causa.
Fonte: Diário Digital
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