As mortes por gripe das aves de seis membros de uma família na Indonésia são consideradas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como o «desenvolvimento mais importante» na propagação do vírus desde finais de 2003.
«É a primeira vez que nos deparamos com a possibilidade de uma infecção por uma única fonte», afirmou Peter Cordingley, porta-voz da OMS para a região do Pacífico.
Seis de sete membros de uma extensa família que contraíram a doença no norte de Samatra morreram, o último dos quais na segunda-feira. Para o porta-voz, a dimensão deste foco familiar e a sua fonte são motivos reais de preocupação.
Num comunicado divulgado horas antes, a OMS dera conta da suspeita de que os membros da família se tivessem contaminado entre si e não através de contacto com aves domésticas.
«Todos os casos confirmados na família podem ser relacionados com uma exposição próxima e prolongada com um paciente durante uma fase avançada da doença», refere o comunicado.
A agência suspeita que nalguns casos, raros, a gripe das aves se possa transmitir entre pessoas, mas a grande maioria dos casos humanos conhecidos ocorreu após contactos com aves contaminadas.
Embora neste caso se investigue se o vírus se transmitiu de pessoa a pessoa, a OMS diz não ter provas de que o vírus tenha sofrido uma mutação que lhe permita transmitir-se facilmente entre humanos e dar origem a uma pandemia.
Também não há indicações de o vírus tenha infectado outras pessoas fora da família.
Estão documentados casos isolados de transmissões muito limitadas entre humanos, um dos quais envolveu uma mãe e um filho na Tailândia, mas isso não significa que tenha surgido uma pandemia de gripe, segundo a OMS.
«Seja o que for que esteja a acontecer nesta fase, trata-se de uma transmissão limitada entre membros da mesma família», garantiu o porta-voz Peter Cordingley.
«O que estamos à procura é de algum sinal de que o vírus tenha saído do grupo familiar para a comunidade em geral, o que poderia ser muito preocupante. Não temos ainda nenhum sinal disso», precisou.
A gripe das aves matou 124 pessoas em todo o mundo, mais de 25 por cento das quais na Indonésia, e a maioria dos casos tem sido atribuída ao contacto entre humanos e aves infectadas.
Segundo Steven Bjorge, chefe da equipa da OMS na aldeia de Kubu Sembelang, o vírus que infectou os membros da família era geneticamente igual a um que fora encontrado antes na mesma área.
A pessoa que se julga ter sido a primeira a ser infectada na família, uma mulher, vendia legumes num mercado em que eram vendidas aves de capoeira.
Os peritos estão agora a investigar se foi ali que ela contraiu o vírus. A mulher, falecida a 4 de Maio, nunca foi submetida a despistes de H5N1, mas a OMS considera-a parte do foco familiar. Um irmão seu, com 25 anos, é o único membro da família infectado ainda vivo.
«Todos os casos confirmados deste foco podem ser directamente associados a exposição prolongada a um paciente durante uma fase grave da doença», indica a OMS no comunicado.
Foram colhidas amostras de sangue de alguns aldeões, mas as autoridades locais resistem a trabalhar com peritos sanitários estrangeiros, segundo a OMS, que contratou alguns habitante da aldeia para ajudar a encontrar pessoas com sintomas gripais.
Se alguém for encontrado com algum sintoma, por mais fraco que seja, será imediatamente posto em quarentena e medicado com Tamiflu.
Fonte: Diário Digital
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