H5N1: Pior receio dos cientistas é a transmissão do vírus – Forte suspeita de contágio humano

Há fortes suspeitas de transmissão do vírus mais perigoso da gripe das aves (H5N1) entre os humanos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) admite a possibilidade de contágio e a Direcção-Geral da Saúde (DGS), no nosso país, apela à calma enquanto se aguardam os resultados das análises feitas em laboratórios internacionais, o que deverá acontecer dentro de poucos dias.

A transmissão do H5N1 entre pessoas constitui um dos maiores receios das autoridades de saúde internacionais. Os cientistas temem que o vírus da gripe aviária possa criar uma mutação na transmissão entre as pessoas, o que iria causar a morte a largas dezenas de milhões de pessoas em todo o Mundo.

Segundo a OMS, o caso suspeito surgiu na China, após a infecção pelo H5N1 ter sido detectada no pai de um jovem chinês que morreu no dia 2 de Dezembro.

Trata-se de um indivíduo de apelido Lu, 52 anos, a viver na região oriental da província Jiangsu. Lu começou a sentir sintomas da infecção respiratória na segunda-feira e, dois dias depois, foi confirmado o vírus. Permanece sob vigilância hospitalar.

O porta-voz da OMS, John Rainford, sublinha: “Estamos preocupados. O facto de haver dois casos sem que tenham necessariamente uma fonte clara de infecção animal e na mesma família significa que precisamos de ter a certeza de que estamos a fazer uma investigação completa.”

A esse propósito, Graça Freitas, subdirectora-geral da DGS, explica ao CM: “É necessário ter a certeza se o indivíduo foi contagiado pelo filho ou se foi infectado pelo mesmo foco de infecção ou por um foco diferente.”

Aquela responsável sublinhou não ser possível falar, por enquanto, numa eventual mutação do vírus. “Não haverá uma mutação do vírus da gripe das aves, porque não são conhecidos casos de contágio a vizinhos ou familiares directos das vítimas. O que poderá explicar a transmissão do vírus do filho para o pai será uma predisposição genética.”

Este não é o primeiro caso suspeito de transmissão entre pessoas. Houve dois casos pontuais, designadamente na Tailândia e na Indonésia, que não deram origem a uma cadeia de transmissão e que poderão ser explicados pela predisposição genética, segundo explica Graça Freitas.

ANTIVIRAM TEM PRAZO DE VALIDADE

Portugal gastou mais de 23 milhões de euros na aquisição de uma Reserva Estratégica de Medicamentos Antivirais, com o nome comercial Tamiflu. Este medicamento, prescrito para o tratamento da gripe sazonal, tem normalmente uma validade de cinco anos. Contudo, segundo a Direcção-Geral da Saúde, os antivirais desta reserva encontram-se sob a forma de pó (não estão em cápsula), acondicionados em contentores duplos e em condições ambientais optimizadas, incluindo a protecção total contra a humidade. Assim, os medicamentos têm um tempo de validade superior aos cinco anos. “Vários anos a mais”, diz Graça Freitas. O local do armazenamento é considerado segredo de Estado. A reserva estratégica destina-se ao tratamento de 2,5 milhões de indivíduos e é a ‘arma’ terapêutica mais indicada para combater a infecção pelo H5N1. Uma vez por ano são feitas análises aos medicamentos pelo laboratório que o produz, a Roche, e pelo Infarmed, Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde.

APONTAMENTOS

MUTAÇÃO

Os vírus da gripe sofrem sempre alguma mudança genética e essa mutação ocorre especialmente quando ultrapassa a barreira genética, ou seja, passa de um animal para outro, de espécie diferente.

SEM IMUNIDADE

O receio dos cientistas é que o H5N1 possa sofrer essa mutação para a qual não existe conhecimento científico nem uma vacina que possa imunizar as pessoas. É por isso que o vírus pode ser fatal para milhões.

ABATE DE AVES

Milhões de aves de consumo (frangos, perus), em vários países, já foram abatidos devido a focos de infecção que ciclicamente vão surgindo.

SAIBA MAIS

207 pessoas já morreram devido ao vírus da gripe das aves (H5N1). Quase todas devido ao contacto directo com aves infectadas (galinhas, patos).

91 vítimas sucumbiram ao vírus da gripe aviária na Indonésia, o país que regista o maior número de óbitos. Segue-se o Vietname (46 mortes). A China e a Tailândia registaram 17 vítimas.

DOENTES

Os casos de infecção são na maioria fatais. Contudo, há alguns casos de sobreviventes. A OMS regista, de 2003 até à data, um total de 336 casos de doença e 207 casos de morte. Sobreviveram 129 pessoas.

ÁSIA

As pessoas que contraíram o vírus da gripe das aves vivem em países asiáticos e, normalmente, tiveram contacto directo com aves. Não há casos fora da Ásia.

VÍRUS RESISTENTE

O vírus H5N1 tem a capacidade de estar activo durante um mês, ou mais, no meio ambiente, em fezes, penas, solo e pode infectar uma pessoa.

Fonte: Correio da Manhã

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