O Director Geral de Saúde, Francisco George, anunciou hoje que novos planos de contingência para combate a um eventual surto de gripe das aves serão difundidos publicamente e distribuídos a todos os médicos até ao final de Março.
Francisco George, que falava no seminário «Gripe das Aves: Uma causa do país», no qual foi divulgado um estudo sobre planos de contingência em empresas, explicou que «estes planos de resposta são compostos por quatro eixos, nomeadamente, informação epidemiológica, medidas a adoptar, comunicação e um sistema de avaliação».
De acordo com o estudo, cerca de 70% das organizações inquiridas não têm um plano de contingência para uma eventual pandemia, apesar de as grandes empresas demonstrarem uma grande preocupação perante esta possibilidade.
O mesmo documento revela ainda que as políticas de recursos humanos em Portugal são inadequadas e que podem pôr em causa a sobrevivência das empresas.
Confrontado com estes resultados, o Director Geral de Saúde exclamou que «não estão preparadas, mas têm que estar!».
«Poderemos ter um problema da próxima pandemia da gripe daqui a seis meses ou seis anos. Os gestores não gostam desta expressão porque é muito imprecisa, mas é absolutamente impossível anteciparmos hoje aquilo que irá acontecer, por isso há que estar preparado para daqui a seis meses», declarou Francisco George.
Esta preparação, segundo referiu, deve ser mantida nos próximos anos, uma vez que apesar da gripe das aves não estar na iminência de surgir entre os seres humanos, «está descontrolada em aves».
Em caso de pandemia, «o absentismo será o pior problema, porque os trabalhadores poderão adoecer e ficar em casa, o que pode originar problemas de funcionamento», apontou Francisco George.
«Há que, desde já, preparar planos para saber quais são os sectores de determinada empresa considerados prioritários», adiantou.
A propósito, indicou que os serviços da Direcção Geral da Saúde (DGS) organizaram planos de distribuição de medicamentos preventivos, «sendo estes fornecidos de forma gratuita, ordenada e impedindo armazenamentos domésticos».
Cabe aos serviços da DGS, em conjunto com o INFARMED, organizar e formular um plano «que visa assegurar a distribuição de medicamentos em caso de necessidade de modo que aqueles que realmente precisam de medicamentos, quer para fins preventivos, quer terapêuticos, terem acesso directo a esse medicamento», explicou.
Em caso de pandemia, «a prioridade está estabelecida e esses planos vão ser anunciados de forma mais detalhada no final do mês de Março», revelou Francisco George, justificando a decisão de antecipar a divulgação «para fins de preparação dos planos detalhados para um eventual surto».
O estudo reuniu 777 empresas participantes (num universo de 2500 contactadas) de 14 indústrias.
Das empresas inquiridas, apenas 29% afirmaram possuir um plano de contingência. Apesar disso, algumas empresas já estão a dar alguns passos, nomeadamente através da constituição de equipas de gestão de crises (35%) e da avaliação do tipo de informação necessária para monitorizar uma pandemia (34%).
Fonte: Diário Digital
Segurança Alimentar Desde 2004 a tratar da Segurança Alimentar em Portugal