Guiné-Bissau: Portugal em Projecto Inovador para Melhorar Alimentação Escolar

A cooperação portuguesa lançou sábado um projecto inovador, que consiste em plantar pomares e hortas em 52 escolas comunitárias do Leste da Guiné-Bissau, para melhorar a alimentação de mais de 300 crianças em idade escolar.

A iniciativa foi lançada sábado no Centro Experimental e de Fomento Horto-Frutícola do Quebo, localidade situada 230 quilómetros a sul de Bissau e que alberga, desde 1989, este projecto apoiado pelo Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD).

Em declarações à agência Lusa, o responsável português pelo centro, Miguel Nogueira, indicou que o projecto é financiado com 18.000 euros da organização não governamental Plano Internacional e vai permitir, paralelamente, gerar fontes de receita para as próprias escolas.

“Vamos implantar pomares e hortas em 52 escolas comunitárias da região de Bafatá já apoiadas noutros domínios pela organização, visando melhorar a dieta alimentar de mais de 300 crianças em idade escolar e, ao mesmo tempo, criar algumas fontes de receita para as próprias escolas”, sublinhou Miguel Nogueira.

O director do Centro do Quebo realçou a importância desta iniciativa, tanto mais que irá permitir incutir alguns conhecimentos básicos de horto-fruticultura na população escolar da região.

Nesse sentido, dos viveiros do Centro Experimental do Quebo serão transferidas para as áreas envolventes das escolas comunitárias da região de Bafatá cerca de 4.000 plantas fruteiras e hortícolas.

Paralelamente, acrescentou, começaram também as várias acções de formação semanais e ininterruptas no próprio Centro, vocacionadas para a capacitação de quadros agrícolas, havendo ainda um constante acompanhamento e enquadramento técnico no terreno.

A medida insere-se num projecto-piloto que se destina a diversificar a produção agrícola no país, de forma a evitar uma excessiva dependência da monocultura do caju, o principal e quase único produto de exportação guineense e também a principal fonte de receitas do Estado.

Por outro lado, visa também, a curto e médio prazos, criar condições para evitar a desertificação e situações de penúria alimentar num país com solos férteis.

O Centro Experimental e de Fomento Horto-Frutícola do Quebo, situado em Coli, a 12 quilómetros da povoação, tem desenvolvido ininterruptamente a sua acção desde 1989, dedicando-se única e exclusivamente a experiências de culturas hortícolas e frutícolas, em colaboração com o Instituto Nacional de Pesquisa Agrária (INPA).

Segundo Miguel Nogueira, que desde Julho de 2005 dirige conjuntamente o Centro do Quebo com o agrónomo guineense João Aruth, na época das chuvas (entre Junho e Outubro) fazem-se experiências interessantes, vendo-se os resultados e fazendo-se a selecção das melhores espécies ou variedades de sementes testadas.

Entre as fruteiras testadas estão os mangueirais, cajueiros, bananeiras, abacateiros e vários tipos de citrinos, enquanto nos hortícolas destaca-se a produção melhorada de tomate, pimentos e repolhos, entre outros.

O projecto de horto-fruticultura do Quebo é um dos dois apoiados pela cooperação portuguesa, estando o segundo localizado em Moçambique.

A iniciativa hoje lançada contou com a presença de responsáveis do Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural guineense e da Plano Internacional, bem como das autoridades locais e tradicionais da região do Quebo, alunos e formadores.

Portugal esteve representado pelo seu cônsul em Bissau, Frederico Silva, e pelo adido da Cooperação da Embaixada de Portugal na capital guineense, Guilherme Zeverino.

Fonte: Lusa

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