Insectos conhecidos localmente por “serrotes” estão a destruir campos agrícolas no sul da Guiné-Bissau, tendo os camponeses denunciado falta de apoios das autoridades do sector da Agricultura.
Segundo Mama Samba Embalo, presidente da Associação Nacional dos Agricultores da Guiné (ANAG), “grandes hectares” de campos de cajueiros, um dos principais produtos da agricultura guineense, foram já dizimados pelos “serrotes” desde Outubro último, quando a praga foi descoberta.
Os campos agrícolas das terras situadas na região de Quinara, sul da Guiné-Bissau, são os mais atingidos, indicou Embaló, referindo que os cajueiros das povoações de São Miguel, em Emapada, foram “completamente destruídos” pelos insectos.
O presidente da ANAG afirmou ainda que os camponeses se sentem “abandonados” pelas autoridades, uma vez que, explicou, nenhum elemento ligado ao ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural se deslocou à zona para verificar “in loco” a dimensão da praga.
“Esses insectos voadores são terríveis, cortam os caules dos cajueiros com uma precisão tal que até dá a impressão de possuírem um serrote, daí o nome que os camponeses lhes dão”, relatou Alonso Fati, presidente do Quadro Nacional de Concertação das Organizações Camponesas Produtoras Agrícolas.
Os dois responsáveis, Alonso Fati e Mama Samba Embalo, responsabilizam o governo pelo que advertem ser a “iminência da fome” para as populações do sul do país, uma vez que, afirmam, “o caju é a principal fonte de receitas dessas pessoas”.
O presidente da ANAG lembrou que a sua organização tem alertado os sucessivos governos do país para a necessidade de afectar um fundo especial ao Instituto Nacional da Pesquisa Agrícola (INPA) para os trabalhos de investigação, prevenção, controlo e combate às pragas de insectos nas culturas agrícolas.
Uma percentagem das receitas da exportação do caju – cerca de 15 milhões de dólares por ano – podia ser posta a disposição do INPA, sugeriu Embaló.
Durante longos meses de 2004 e princípios de 2005 a Guiné-Bissau foi afectada por pragas de insectos roedores – “os gafanhotos do deserto” -, tendo-se o governo declarado, na altura, incapaz de combater a invasão.
Portugal, com um fundo de mais de 300 mil euros, o Senegal, com insecticidas e aviões pulverizadores, a Líbia, com carros equipados com pulverizadores, e a Organização da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO) apoiaram as autoridades a enfrentar a praga, que devastou milhares de hectares de terrenos, sobretudo no sul, leste e norte da Guiné-Bissau.
Os dois responsáveis das organizações não-governamentais dos agricultores guineenses afirmam recear que uma nova praga atinja a Guiné-Bissau “se nada for feito”, nos próximos dias.
“O mais grave é que as autoridades parecem querer manter este caso em silêncio. É preciso começar já a falar da nossa incapacidade para combater os insectos e começarmos a pedir apoios”, defendeu o presidente da ANAG.
Fonte: Agroportal
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