Gripe das Aves/Conferência: Peritos Debatem-se com Muitas Incertezas

Especialistas em gripe das aves, que hoje concluíram uma conferência internacional de dois dias em Roma, admitiram a persistência de muitas incertezas sobre o vírus e o papel exacto das aves selvagens e do comércio na sua propagação.

Cerca de 300 peritos na doença apresentaram trabalhos durante os debates, organizados pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE).

“A conferência permitiu juntar cientistas de alto nível de uma centena de países que apresentaram os seus estudos. Mas temos de admitir que persistem ainda muitas incertezas”, resumiu em conferência de imprensa Joseph Domenech, veterinário chefe da FAO.

“As aves selvagens são um problema essencial na transmissão do vírus mas desconhece-se que espécies transportam o vírus e qual a capacidade de ‘reservatórios’, permanentes ou não, entre as espécies dessas aves”, acrescentou.

“Precisamos de mais coordenação para juntar todas as informações de modo a compreender e reconstituir melhor o puzzle. É também absolutamente necessário ter uma abordagem multidisciplinar que junte os diversos sectores”, dos camponeses aos serviços veterinários, sublinhou Domenech.

“Durante a conferência pudemos recolher informações complementares de que precisávamos. Mas é evidente que temos ainda um longo caminho a percorrer”, frisou Christianne Bruschke, coordenadora da OIE.

Para Juan Lubroth, perito em saúde animal da FAO, “a gripe das aves não vai desaparecer de repente. É um problema que vamos ter de vigiar ainda durante alguns anos e que vai precisar de um apoio técnico e financeiro importante”.

“É difícil medir o impacto financeiro da crise, apenas sabemos que é enorme. E que 200 milhões de frangos morreram ou foram abatidos”, indicou Joseph Domenech.

Para Gideon Bruckner, responsável pelo sector científico e técnico da OIE, é importante “pagar indemnizações aos camponeses e criadores porque, caso contrário, ficaram reticentes em dizer que têm animais doentes”.

Em relação a África, Domenech sublinhou que a situação se poderá agravar no próximo ano e que “a Europa poderá novamente ser atingida durante a época migratória das aves”, acrescentando ser “difícil saber o que 2007 reserva”.

Fonte: Lusa

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