O ministro da Saúde destacou hoje, em Condeixa, Coimbra, a importância estratégica de Portugal estar preparado para uma eventual pandemia de gripe, pois se essa ameaça se concretizar “cada país jogará no seu egoísmo nacional”.
“Estarmos alerta não basta, temos de estar alerta e preparados. No momento de perigo, se se vier a concretizar essa ameaça, cada país produtor jogará no seu egoísmo nacional e primeiro, antes de mais, tratará de resolver o seu problema e só depois abrirá as portas para ceder aos outros países a sua produção”, afirmou Correia de Campos.
O ministro da Saúde e o titular da pasta da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior, Mariano Gago, participaram hoje, na zona industrial de Condeixa, na cerimónia de assinatura de um memorando de entendimento que foi celebrado pelo ministro da Economia e Inovação, Manuel Pinho, com a empresa farmacêutica Medinfar, para criar uma unidade de produção de vacinas anti-gripais e das futuras vacinas contra a variante humana da gripe das aves, no caso de uma eventual pandemia.
“A nossa preparação não é apenas boa para nós, pode ser também boa para outros países: se a epidemia for pandemia, há muitos países com quem temos um relacionamento privilegiado que poderão vir também a ser subsidiariamente beneficiados com esta iniciativa”, realçou o ministro da Saúde ao intervir na cerimónia.
Ao sublinhar o “interesse nacional” do projecto, também do ponto de vista da produção de vacinas anti-gripais, Correia de Campos destacou ainda, à semelhança do que frisara anteriormente o ministro da Ciência, a “qualidade da cooperação intersectorial” entre os três ministérios, sob a coordenação do primeiro-ministro.
“Temos todo o prazer em acolher e apoiar outras empresas”, disse ainda Correia de Campos, lembrando que o Ministério da Saúde compra anualmente 2,8 biliões de euros de medicamentos.
Mariano Gago considerou “particularmente gratificante” que “o investimento feito pelo menos ao longo de duas décadas em química, bioquímica, biologia, biomedicina, e nas áreas da biotecnologia comece a ter os seus frutos”.
“Este tipo de investimentos só é possível porque se acumulou em Portugal e em portugueses que trabalham em Portugal e no estrangeiro competências muito avançadas nesta matéria e, sobretudo, porque houve uma convivência sistemática entre empresários e cientistas e que hoje encontram finalmente a massa crítica para resolver problemas efectivos e oportunidades de trabalho e de negócio”, afirmou o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.
Por seu turno, o ministro da Economia realçou o significado do projecto que se insere no Plano Tecnológico e representa “um casamento muito importante entre a investigação e a indústria”.
“Era bom que o Plano Tecnológico fosse um milagre, que se carregasse num botão e saísse imediatamente o resultado. Não é: é um esforço transversal e aqui está uma prova”, afirmou, ao acentuar a colaboração entre os ministérios e a Agência Portuguesa para o Investimento (API) neste projecto, também “uma prova de vitalidade da zona Centro”.
Por seu turno, o presidente do conselho de administração da Medinfar, Almeida Lopes, afirmou que este “projecto cientificamente arrojado, tecnologicamente complexo e seguramente inovador” poderá ter “um papel ímpar na saúde dos portugueses em caso de pandemia de gripe”.
Em declarações aos jornalistas no final da sessão, o ministro da Economia disse que os apoios do Estado ao projecto se encontram Stotalmente tipificados”, mas não pode adiantar ainda o montante.
Esta unidade de produção de vacinas anti-gripais, que fará de Portugal o décimo fabricante, deverá estar concluída até ao final do primeiro semestre de 2008 mas poderá começar a operar já no terceiro trimestre de 2007, caso seja necessário produzir uma vacina contra a variante humana da gripe das aves.
Com custos da ordem dos 27 milhões de euros, representa “um investimento extremamente importante” para o concelho de Condeixa, em termos monetários e pela aposta na tecnologia de ponta – disse à agência Lusa o presidente da Câmara local, Jorge Bento.
O presidente da API, Basílio Horta, o secretário de Estado da Saúde, Francisco Ramos, o director geral da Saúde, Francisco George, e o governador civil de Coimbra, Henrique Fernandes, foram algumas das figuras que estiveram presentes na sessão, que foi antecedida por uma visita às instalações da fábrica da Medinfar.
Fonte: Lusa
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