Gripe das Aves: UE Vai Iniciar Desenvolvimento de Vacina

A União Europeia (UE) vai iniciar esforços para o desenvolvimento de uma vacina contra o vírus responsável pela gripe das aves, projecto no qual Portugal vai colaborar, disse ontem à Agência Lusa o ministro da Saúde.

“Portugal tem capacidade excedentária de bons técnicos e condições para colaborar no desenvolvimento de uma vacina”, explicitou o ministro da Saúde, António Correia de Campos, após uma reunião informal de ministros da Saúde da União Europeia para debater o estado de preparação dos 25 face à gripe das aves.

A recomendação para os Estados-membros investirem no desenvolvimento de uma vacina contra esta infecção resultou do encontro de ontem, que decorreu em Hertfordshire, próximo de Londres, tendo Correia de Campos explicitado que a participação portuguesa pode envolver os departamentos de biologia molecular e virologia de várias instituições nacionais.

O ministro da Saúde salientou também que o país “tem muitas fábricas novas, que podem responder perfeitamente” à produção de uma vacina.

Questionado pela Lusa se haveria já acordos nesse sentido com as empresas farmacêuticas localizadas em Portugal, Correia de Campos afirmou não poder ainda fornecer essa informação, mas que tem “bons sinais nesse sentido”.

O ministro da Saúde adiantou também que, entre o momento de identificação de uma estirpe do vírus da gripe avícola que seja transmissível entre humanos (o que ainda não foi detectado) e o fabrico de uma vacina decorrem, em média, cerca de seis meses, mas que entretanto “pode começar-se a aquecer os motores [ao nível da investigação] com o actual vírus aviário”.

O vírus da gripe das aves H5N1 – envolvido nas infecções detectadas até à data no continente asiático, Rússia ocidental, Turquia e Roménia – é transmissível entre as aves e, em algumas circunstâncias, entre estas e o seu humano.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou já para a possibilidade de uma eventual mutação do vírus, que o torne susceptível à transmissão entre humanos, o que poderia significar uma pandemia a nível mundial.

Este cenário “é completamente distinto da gripe sazonal, que ocorre todos os anos, e cuja vacinação de grupos de risco é recomendada pela OMS”, clarificou o ministro da Saúde.

Correia de Campos acentuou que o encontro entre os ministros da Saúde da UE decorreu num ambiente de “tranquilidade” e “muito optimista”, e que as declarações dos responsáveis “não foram meramente diplomáticas, mas muito substantivas e com ofertas de cooperação”.

A cooperação internacional entre os vários Estados-membros e a necessidade de coordenação e de comunicação “de forma clara e completa” foram também realçadas pelos vários responsáveis governamentais durante o encontro, adiantou Correia de Campos.

“A coordenação é absolutamente essencial”, enfatizou o ministro da Saúde, dando conta de que surgiram no encontro “críticas à descoordenação comunicacional, quer da parte de países isoladamente, quer da parte de organismos internacionais”, que ocorreram na última semana.

António Correia de Campos explicitou também que o plano de contingência português face à eventualidade de a infecção se tornar transmissível a humanos e atingir Portugal tem estado a ser “regularmente adaptado” e que a Direcção-Geral de Saúde “deve terminar por estes dias” a última revisão.

Fonte: Lusa

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