Gripe das Aves: Portugal em Fase Três do Período de “Alerta Pandémico”

Portugal encontra-se na fase três do período de “alerta pandémico” devido à gripe das aves, que visa “a detecção atempada, declaração e resposta a casos adicionais”, disse à Lusa fonte da Direcção-Geral de Saúde (DGS).

A classificação consta do Plano de contingência para pandemia de gripe, documento elaborado pela DGS e que contém “as medidas preparatórias para fazer face a uma pandemia”.

Segundo fonte da DGS, Portugal encontra-se em período de “alerta pandémico”, nomeadamente na fase (três) em que “existe infecção humana com um novo subtipo de vírus, mas não foi detectada transmissão pessoa-a-pessoa ou, no máximo, houve situações de transmissão para contactos próximos”.

Nesta fase os objectivos fundamentais de saúde pública passam por “assegurar a rápida caracterização do novo subtipo do vírus e a detecção atempada, declaração e resposta a casos adicionais”.

Em Bruxelas, o comissário europeu para a Saúde afirmou hoje que a Europa tem de estar preparada para a eventualidade de uma pandemia, ligada à gripe das aves ou outro vírus, e instou os estados- membros a tornarem esta questão prioritária.

Markos Kyprianou falava após a Comissão Europeia (CE) ter recebido a confirmação que o vírus da gripe das aves detectado na Turquia é o da estirpe mais perigosa, o H5N1, e poucas horas depois de a Roménia também ter confirmado um vírus da gripe das aves no país, igualmente “às portas” da União Europeia.

O comissário reconheceu a “grande preocupação” de Bruxelas relativamente à hipótese de uma pandemia de gripe, ligada a este vírus ou a outro.

“Pode ser daqui a muito tempo, pode ser amanhã. Por isso temos de estar permanentemente preparados”, advertiu, acrescentando que, por essa razão, é fundamental que esta questão “se torne uma prioridade para todos os estados-membros”, e que estes façam “os investimentos adequados” a nível de prevenção.

O comissário cipriota voltou a insistir na necessidade de os estados-membros irem tomando medidas – nomeadamente através de acordos com laboratórios – no sentido de um aumento da capacidade e rapidez de fabrico de vacinas para o caso de surgir uma pandemia, assim como um reforço do stock de anti-virais.

No âmbito da aquisição de medicamentos contra o vírus da gripe das aves, Portugal comprou fármacos para proteger cerca de 25 por cento da população, o que vai custar ao Estado 22,58 milhões de euros.

O medicamento encomendado é o Oseltamivir (substância activa), referenciado como o mais eficaz contra as estirpes virais.

Fonte da DGS adiantou à Lusa que o medicamento deverá chegar a Portugal no próximo ano, pois vários países fizeram idênticas encomendas e apenas um laboratório é responsável pela sua comercialização.

A vacina contra o H5N1 ainda não é conhecida e, segundo as autoridades de saúde, a vacina contra a gripe “normal” que todos os anos atinge milhares de pessoas, não confere qualquer protecção contra o vírus da gripe das aves.

Contudo, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a administração desta vacina aos grupos de risco, isto porque “a prescrição indiscriminada da vacina comprometeria a disponibilidade de vacinas para os grupos populacionais que dela mais beneficiariam”, segundo a DGS.

A vacina contra a gripe deve ser administrada durante o mês de Outubro e os “grupos prioritários para a vacinação” são as pessoas com idade igual ou superior a 65 anos, os doentes com mais de seis meses de idade que sofrem de doenças crónicas, como cardíacas, renais, hepáticas, pulmonares, metabólicas (diabetes) ou neuromusculares (com risco de aspiração).

Também as pessoas com imunodepressão, os residentes ou com internamentos prolongados em instituições prestadoras de cuidados de saúde e os indivíduos sem abrigo são considerados de risco e, por isso, devem ser vacinados.

As autoridades recomendam ainda a vacinação de pessoas com contacto directo com os grupos de risco, como o pessoal dos serviços de saúde e de outros departamentos e os que vivem com doentes dos grupos de risco.

Fonte: Lusa

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