A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou-se hoje alarmada com os riscos sanitário e nutricionais que a estirpe H5N1 do vírus da gripe das aves representa para a população da Faixa de Gaza.
A organização pediu à comunidade internacional e a Israel para fornecerem rapidamente ajuda financeira à Autoridade Palestiniana para enfrentar o flagelo e para que esta se abasteça de medicamentos antivirais e outros equipamentos, segundo um comunicado.
No texto, a OMS pressionou igualmente a Autoridade Palestiniana a “tomarem todas as medidas necessárias”, incluindo o abate de aves e a colocação de aves em quarentena.
A OMS manifestou a sua preocupação com o facto de “o abate das aves não ter ainda começado na Faixa de Gaza, três dias depois do surgimento do vírus, tendo em conta a falta de meios técnicos e a falta de fundos para indemnizar os exploradores avícolas”.
“A propagação do vírus e as consequências que tal pode provocar na população de Gaza, no plano nutritivo, são preocupantes”, sublinhou o director da OMS para a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, Ambrogio Manenti.
De acordo com as “instruções internacionais”, as autoridades locais devem abater as aves num raio de três quilómetros e decretar uma quarentena num raio de 10 quilómetros em torno do foco identificado, recordou a organização.
A situação é particularmente preocupante, segundo a OMS, porque as aves constituem a principal fonte de proteínas de 1,3 milhões de palestinianos da Faixa de Gaza.
A estirpe H5N1 do vírus da gripe das aves, a mais mortífera, foi encontrada em pelo menos dois focos na Faixa de Gaza, um no centro daquele território palestiniano e outro no sector de Rafah, no sul.
Um outro foco foi detectado na Cisjordânia, num colonato israelita do vale do rio Jordão.
Israel foi igualmente atingido pela doença descoberta em mais de cinco focos e mais de um milhão de aves foram abatidas.
Segundo o vice-ministro da Agricultura palestiniano, Azzam Tbeileh, Israel deve absolutamente ajudar os palestinianos, que não possuem qualquer equipamento, porque “o vírus não conhece nem fronteiras, nem o muro de separação” entre Israel e os territórios palestinianos.
“Faltam-nos vacinas, fatos de protecção. Faltam-nos laboratórios, mesmo para fazer testes preliminares, não temos outra alternativa a não ser enviar as amostras para Israel”, afirmou.
Na quarta-feira à noite, “depois de nos terem anunciado os resultados positivos na Faixa de Gaza, apenas nos deram 100 fatos de protecção e cerca de 25 litros de desinfectante”, lamentou.
“É muito provável que a gripe das aves tenha surgido na Faixa de Gaza há algumas semanas e que a Autoridade Palestiniana o tenha escondido”, afirmou, por sua vez, o ministro da Agricultura israelita, Zeev Boim.
As autoridades israelitas declararam-se dispostas a fornecer a assistência necessária e indicaram estar em contacto com o Banco Mundial, que terá prometido uma assistência financeira de dois milhões de dólares.
Os palestinianos apelaram igualmente para a ajuda internacional e, nomeadamente, para a organização não-governamental Care International.
Fonte: Agroportal
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