A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou esta segunda-feira, em Nouméa (Nova-Caledónia, França), os países para uma pandemia de gripe de origem aviária e estarem prevenidos contra a ameaça «evidente» da transmissão do vírus entre humanos.
«Nenhum Governo, nenhum chefe de Estado pode estar desprevenido. É muito importante para todos estarmos preparados», declarou Jong-Wook Lee, director-geral da OMS, no primeiro dia da reunião anual em Nouméa do comité regional para o Pacífico oeste da organização.
A mutação do vírus H5N1 da gripe das aves para uma variante humana é actualmente considerada pelas autoridades como inevitável.
«É evidente que uma pandemia aparecerá, todas as condições estão criadas. O problema agora é o tempo», afirmou Jong-Wook Lee.
Cerca de 200 delegados provenientes de 37 estados, entre os quais vários países afectados pelo vírus H5N1 da gripe das aves, tais como o Vietname ou o Cambodja, participam até sexta-feira nesta reunião, dominada pela ameaça de uma pandemia de gripe.
Após o alerta lançado a semana passada pelo presidente norte-americano, George Bush, e pelo primeiro-ministro francês, Dominique de Villepin, na tribuna da ONU, Jong-wook Lee insistiu na necessidade de «cada país ter um plano nacional de luta anti-pandemia».
Actualmente, só perto de 40 países dos 192 estados membros da OMS dispõem de um plano detalhado para poderem fazer face a uma mutação do vírus H5N1, que se transmitirá entre humanos, fazendo milhões de vítimas, como a gripe espanhola de 1918.
Desde 2003, o vírus H5N1 da gripe das aves matou no sudeste asiático 63 pessoas que estiveram em contacto com aves infectadas, mas a mutação do vírus para uma variante humana é actualmente considerada inevitável.
Jong-wook Lee já alertara sexta-feira para esse perigo: «o vírus H5N1 não adquiriu a capacidade de transmissão entre os humanos, mas quando o fizer – e temos algumas provas de que isso vai acontecer – espero que seja menos tóxico que o actual H5N1, que matou metade das pessoas infectadas».
Para a OMS, a produção actual de vacinas anti-virais é insuficiente para enfrentar uma epidemia comparável à de 1918, que matou cerca de 40 milhões de pessoas em todo o Mundo.
No início do mês, o Governo português aprovou, em Conselho de Ministros, a compra de um medicamento anti-viral para tratamento da «gripe das aves».
A Direcção-Geral de Saúde (DGS) esclareceu entretanto que a vacina contra a gripe, que anualmente é produzida para proteger contra as estirpes de vírus responsáveis pelas epidemias anuais de gripe humana, não protege contra a gripe das aves, e recordou que «não existe, actualmente, nenhuma vacina aprovada contra o vírus H5N1».
Na passada semana a Comissão Europeia anunciou a atribuição de 25.120 euros às autoridades portuguesas no quadro do co-financiamento dos programas nacionais de monitorização da «gripe das aves», depois de recentemente ter aconselhado os Estados-membros a manterem-se «vigilantes».
Fonte: Diário Digital
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