O ministro da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas, Jaime Silva, garantiu hoje que não há motivos para alarme quanto à possibilidade de ocorrência de um surto de gripe das aves em Portugal.
Na reunião da Comissão Parlamentar de Assuntos Económicos, Inovação e Desenvolvimento Regional, em S. Bento, Jaime Silva esclareceu que as autoridades têm feito centenas de análises, nas quais não foram detectados quaisquer vestígios do vírus da gripe das aves.
“Acompanhamos a situação com atenção, mas consideramos que não existem motivos para alarme”, acrescentou.
O ministro defendeu que, caso ocorresse um surto da doença, teria de haver uma “resposta comum, pois não existem fronteiras na Europa”.
O vírus H5N1 (da gripe das aves), que causou na Ásia a morte de milhões de aves e de mais de 60 pessoas desde 2003, é considerado como um dos “melhores candidatos” para se transformar num vírus pandémico se se adaptar ao Homem.
Actualmente, o vírus H5N1 atinge apenas os animais, mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) já reconheceu que a sua mutação para uma variante humana é inevitável.
O Governo português decidiu comprar doses do medicamento antiviral oseltamivir contra o vírus da gripe das aves, um investimento que ascenderá a 22,58 milhões de euros.
Portugal reservou uma quantidade suficiente para proteger cerca de 25 por cento da população.
Segundo a resolução publicada no passado dia 21 em Diário da República, o Governo “entende ser necessário adquirir anti-virais a utilizar como tratamento e profilaxia prolongada”.
Esta aquisição ao laboratório Roche-Farmacêutica Química – detentora do exclusivo da comercialização deste produto – será feita através de “ajuste directo”.
De acordo com o cenário mais pessimista traçado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e por diversos cientistas, uma grande epidemia de gripe humana poderá fazer até cem milhões de mortos em todo o mundo.
Em Portugal, um relatório do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) apresentado em Junho deste ano sobre os “Cenários preliminares para uma eventual pandemia” refere três cenários hipotéticos, o pior dos quais aponta para 11.166 mortos.
No caso de Portugal, segundo o mesmo relatório do INSA, o pior cenário, para uma duração máxima de 20 semanas da pandemia, corresponderia a uma “taxa de ataque” de 35 por cento da população portuguesa (cerca de 3,6 milhões de pessoas), a 1,9 milhões de consultas e a 46.500 hospitalizações.
Fonte: Lusa
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