Gripe das aves: Maioria dos portugueses já declarou aves domésticas

O director-geral de Veterinária, Agrela Pinheiro , mostrou-se hoje convencido de que “a grande maioria das explorações” de aves domésticas de Portugal estão já declaradas, a dez dias do fim do prazo estipulado para o efeito.

Os proprietários de aves domésticas (à excepção daquelas que não tenham possibilidade de contactar com outras) estão desde 07 de Março obrigados a declarar os seus animais, no âmbito do programa de prevenção contra a gripe aviaria.

Em declarações à Agência Lusa em Viseu, onde hoje participou no colóquio “Zoonoses: ameaça invisível”, Agrela Pinheiro estimou que tenham já sido feitas “centenas de milhares de declarações”, relativas a freguesias de todo o país.

“É um número muito grande que já está declarado e introduzido na base de dados. Temos a expectativa de que a grande maioria das explorações esteja declarada, o que nos permite ter um conhecimento muito maior no caso de existir um problema e termos de fazer uma intervenção”, referiu o também presidente da Comissão de Acompanhamento da Gripe das Aves.

Os proprietários que não o fizerem até ao próximo dia 21, além dos potenciais riscos para a saúde, “incorrem em penalizações e em nunca poderem invocar o direito de serem indemnizados pelo abate compulsivo dessas aves em caso de necessidade”, alertou.

Durante o colóquio, Agrela Pinheiro lembrou que o vírus H5N1 da gripe d as aves ainda não é pandémico, por não se transmitir entre seres humanos, no entanto “tem potencial para o ser”, caso sofra “recombinações ou mutações”.

Por outro lado, para que uma pessoa seja infectada, tem que contactar com o H5N1 “em espaços fechados e com cargas virais grandes”.

No que respeita à possibilidade da chegada do vírus a Portugal, o director-geral de Veterinária considerou que “a vigilância é a primeira arma” que permitirá precocemente detectar a sua existência.

“Portugal tem os instrumentos que a União Europeia determina a todos o s estados membros, um nível de amostragem grande [de aves] e a consciência da própria população portuguesa para o problema é positiva. Portanto, vamos ter confiança de que se o problema aparecer o conseguiremos resolver”, disse à Lusa.

Este ano, as mais de mil amostras de aves selvagens analisadas foram negativas à presença do vírus da gripe das aves. Foram encontrados outros vírus, mas “de baixa patogenicidade” (H1, H6, H7 e H9) em patos e gaivotas, o que Agrela Pinheiro considera normal, porque se aumentou a amostragem.

Na sua opinião, o que deve preocupar Portugal é ter “um plano de contingência que funciona” até porque, ainda que admita ser difícil fazer previsões, “há um risco acrescido no Outono/Inverno, face ao regresso das aves migratórias que foram para a América do Norte”.

“Se isso acontecer [a entrada em Portugal da gripe das aves] não é nenhum drama, é preciso é actuar com rapidez”, garantiu aos presentes no colóquio organizado pelos alunos da Escola Agrária de Viseu, que durante todo o dia debateu as doenças transmitidas pelos animais aos homens (zoonoses).

Fonte: Agroportal

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