A sub directora-geral da Saúde, Graça Freitas, desafiou as instituições a criarem a sua própria reserva de medicamentos para estarem prevenidas contra uma eventual pandemia de gripe.
Graça Freitas lançou o desafio em Coimbra, quinta-feira, durante o Fórum Regional sobre Gripe, explicando que as instituições não devem ficar dependentes da Reserva Estatal de Medicamentos.
A especialista acrescentou que as instituições podem adquirir a sua reserva junto da indústria farmacêutica, ou mesmo através da Reserva Estatal de Medicamentos (REM).
Actualmente, já se encontra em Portugal a reserva de oseltamivir, o medicamento anti-retroviral aconselhado pelas autoridades internacionais como o mais indicado para combater uma pandemia da gripe, se esta tiver origem na gripe das aves que começou em 2003 no continente asiático e que continua a fazer vítimas .
Graça Freitas convidou ainda as instituições a estarem preparadas logisticamente para uma eventual pandemia, munindo-se, por exemplo, de agulhas e seringas.
“Imaginemos que a pandemia chega, a vacina é descoberta e Portugal adquire-a. Serão necessários pelo menos 20 milhões de seringas e agulhas (duas doses por cada habitante) e essa necessidade será sentida por todos os países ao mesmo tempo que, por isso, não poderão dispensar a outros”, pormenorizou.
A simultaneidade das necessidades para fazer face a uma pandemia de gripe é uma das principais preocupações de Graça Freitas que reconheceu que ainda há muito trabalho preparatório para fazer.
O suporte social é, segundo Graça Freitas, uma prioridade em caso de pandemia, pois “vão existir crianças órfãs e famílias totalmente infectadas”.
Com o plano de contingência definido e a ser constantemente revisto – uma vez que a Organização Mundial da Saúde está permanentemente a enviar novas orientações – a Direcção-Geral da Saúde (DGS) tenta agora ultimar respostas e ponderar cenários.
Segundo Graça Freitas, no dia em que a pandemia for decretada “serão imediatamente criados serviços de atendimento de gripe, os quais apenas atenderão casos com critérios (sintomas) de gripe.
Estes serviços poderão funcionar numa parte da instituição de saúde (hospital ou centro de saúde) ou mobilizar uma unidade (um centro de saúde), ficando os restantes a atender os outros casos de saúde que surjam e que não estejam relacionados com gripe.
As decisões não estão ainda totalmente tomadas, cabendo às Administrações Regionais de Saúde (ARS) o “importantíssimo papel de fazer a ponte entre o nacional e o regional, de forma a que sejam adaptadas as melhores respostas, consoante os meios existentes no terreno”, concluiu Graça Freitas.
A existência de uma pandemia de gripe é impossível de agendar, continuando o director-geral da Saúde, Francisco George, a apostar no seu prognóstico: entre seis meses a seis anos.
Fonte: Agroportal
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