Gripe das aves: H5N1 chega ao Níger e Bósnia e avança na Rússia, Croácia e Ásia

A estirpe mais perigosa da gripe das aves, H5N, foi confirmada hoje, pela primeira vez, no Níger, o terceiro país do continente africano contaminado, bem como na Bósnia, quando na Rússia, Croácia e Hong Kong são descobertos nosvos caso. França sofre agora as consequências do caso de H5N1 detectado num aviário, com 20 países a decretarem o embargo total ou parcial às suas aves ou “foie-gras”.

“O vírus entrou no Níger”, afirmou o director-geral da Organização Mundial de Saúde Animal, Bernard Vallat, sublinhando que a forma altamente patogénica do H5N1 foi identificada após análises realizadas num laboratório de Pádua, em Itália.

O laboratório confirmava, pouco depois, que em apenas um dos 36 animais que recebeu para análise do Níger o resultado foi positivo à presença daquela estirpe. Tratava-se de um pato oriundo de uma criação de Magaria, uma cidade do este do país próxima da fronteira com a Nigéria.

Depois da Nigéria, onde hoje foi confirmado o H5N1 em dois novos estados, Yobe (norte) e Nassarawa (centro), e do Egipto, o Níger é o terceiro país africano a entrar oficialmente na lista mundial de países infectados com a gripe das aves.

O comissário europeu para a Saúde e Protecção dos Consumidores, Markos Kyprianou, deverá deslocar-se quarta-feira à Nigéria para discutir a assistência que a União Europeia poderá fornecer no combate à gripe das aves.

Em África, o H5N1 tem sido detectado em criações de aves, enquanto na Europa, à excepção de França, o único país da União Europeia onde a estirpe foi encontrada num aviário, todos os casos referem-se a animais selvagens.

As autoridades francesas iniciaram hoje uma campanha de vacinação em cerca de 700 mil patos e gansos na zona sudoeste do país, região conhecida pelos seus “foies-gras” (pasta de fígado). Esta medida chega no momento em que a ministra do Comércio Externo, Christine Lagarde, é informada que 20 países, entre eles o Japão, suspenderam as importações dos seus produtos provenientes de aves.

Também hoje, o H5N1 foi detectado, pela primeira vez, na Bósnia-Herzegovina em dois cisnes, segundo os resultados de testes realizados no Reino Unido e divulgados pelo director do instituto veterinário bósnio, Jozo Bagaric. Os cisnes foram encontrados há duas semanas perto do Lago Plivsko (centro). As autoridades isolaram de imediato a zona bem como cerca de 4400 aves domésticas num raio de três quilómetros.

Na Rússia, um novo caso de H5N1 foi descoberto em duas aves de criação mortas na região de Stavropol (sudoeste). O Presidente russo, Vladimir Putin, anunciou já que foi criada uma célula de crise governamental para impedir a propagação da doença.

Na Croácia, a presença do vírus foi confirmada num cisne encontrado morto perto de Trogir, nas proximidades de Split, no sul do país. Este é o segundo caso recenseado no país, após a descoberta de um outro cisne portador do H5N1 encontrado morto na ilha de Ciovo, perto de Split.

Na Ásia, três novos casos de H5N1 foram identificados em aves mortas em Hong Kong e um caso de H5 foi detectado numa criação de aves no Azerbeijão. No Paquistão, também foi registado um caso de H5 em dois aviários no noroeste do país, desconhecendo-se ainda se se trata de um caso de H5N1.

A directora do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças, Zsuzsanna Jakab, estima que a presença de H5N1 fora da União Europeia, em países mais pobres e menos organizados, apresenta uma série de riscos. Na Europa, “as criações de aves estão bem organizadas”, afirma a responsável, que se manifesta preocupada com a “propagação de epidemias no exterior da Europa e em particular na índia e África”.

Em Paris, veterinários de toda a Europa estão reunidos no âmbito da Organização Mundial de Saúde Animal para tentar definir uma estratégia comum perante a extensão da doença.

Fonte: Público

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