Apesar das mensagens governamentais tranquilizadoras e das acções de prevenção para que cada país da União Europeia possa reagir a uma pandemia da gripe das aves, a “psicose” está hoje instalada entre os cidadãos da Europa.
O consumo de carne de aves tem vindo a diminuir apesar das medidas já tomadas por alguns Governos, como a obrigação de etiquetagem deste tipo de carne com a identificação da sua proveniência, a criação de equipas de acompanhamento ou a encomenda de “stocks” do antiviral Tamiflu.
Espanha, por exemplo, anunciou hoje uma encomenda de seis a dez milhões de doses do referido antiviral para fazer face a uma eventual pandemia da forma humana da gripe das aves.
Ao mesmo tempo, Madrid adiantou que irá criar uma comissão interministerial permanente de “acompanhamento e análise” da gripe das aves que terá em conta “questões relativas à saúde, à higiene alimentar e ao controlo das fronteiras”.
Em França, o primeiro-ministro Dominique de Villepin prometeu uma “transparência constante” sobre a evolução da gripe das aves e dos seus riscos para a saúde pública.
Adiantando que a “França não está a salvo”, Villepin garantiu que “o Governo mobilizou todos os meios necessários” para lidar com a situação, nomeadamente através de um plano para responder a uma possível pandemia gripal.
O plano tem três eixos fundamentais: informação, prevenção e protecção.
Uma dos sectores que poderá ser mais afectado pela situação é o da produção de “foie gras”, o que levou os industriais e produtores a mobilizarem-se para tentar sossegar os consumidores, numa altura em que esta especialidade francesa foi considerada “património cultural e gastronómico” pelos deputados do país.
Em Itália, o Governo de Silvio Berlusconi pôs em prática várias medidas para melhor controlar a carne de aves comercializada no país, nomeadamente através da obrigação de etiquetagem com informações sobre proveniência e locais de abate e de corte.
Ao mesmo tempo, intensificaram-se os controlos às importações provenientes da Ásia.
Uma grande quantidade de produtos de carne, na sua maioria de aves, importados ilegalmente da China foram apreendidos pela Polícia de Fronteiras em Génova, informaram hoje as autoridades.
A operação permitiu apreender um carregamento composto por 3.000 frangos embalados, 260 patos congelados e 36.000 ovos de pato, além de salsichas de porco e 1.500 quilogramas de medusas liofilizadas.
Na Macedónia, foi encontrado um vírus suspeito na autópsia de uma das aves encontradas mortas durante o fim-de-semana em duas vilas do sul do país. A amostra seguiu para um laboratório britânico, para confirmar se se trata do vírus H5N1.
Como medida de precaução, o Governo macedónio estabeleceu um perímetro de segurança em torno da vila de Mogila, 200 quilómetros a sudoeste da capital do país, Skopje.
A Grécia anunciou, através do vice-ministro da Agricultura, Alexandros Kontos, que deverá saber nas próximas 24 horas se o foco de gripe das aves no seu país corresponde ao vírus H5N1, o mais perigoso para os humanos, um dia depois da descoberta do primeiro caso num aviário de perus na ilha de Inusses.
A UE, entretanto, já proibiu a importação de carne de aves da região da ilha grega de Hios, à qual pertence a pequena ilha de Inusses, situada perto da costa da Turquia, onde foram descobertos os primeiros casos da doença na Europa.
Os ministros dos Negócios Estrangeiros dos 25 Estados membros apelaram hoje no Luxemburgo a uma coordenação internacional para fazer face “à ameaça mundial” que representa a gripe das aves.
Na mensagem final da reunião de alto nível, os ministros defenderam “uma reacção internacional coordenada” e reconheceram que a Europa não se pode proteger sozinha, “é preciso uma acção internacional”.
Fonte: Agroportal
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