As aves reprodutoras de uma das explorações sequestradas há um ano no Ribatejo na sequência da detecção de um foco de vírus de gripe aviária, foram já este ano alvo de um programa de vacinação como medida adicional de protecção.
Um ano depois do aparecimento de um foco de gripe aviária de baixa patogenicidade no país, que levou ao sequestro de duas explorações cinegéticas em Tomar e Vila Nova da Barquinha e ao abate de perto de 90 mil patos, a Direcção-Geral de Veterinária (DGV) assegura que os procedimentos adoptados foram os adequados, tendo sido aprovados pela Comissão Europeia (CE).
A DGV garantiu à agência Lusa que a operação decorreu conforme o programado, tendo os procedimentos, o planeamento das acções, os tempos de actuação e respectivo suporte técnico sido comunicados à CE e Estados-membros, que os aprovaram.
A DGV refuta assim críticas feitas então à forma como a operação foi conduzida, de alegada falta de preparação e avaliação dos meios necessários para responder à situação, que teria estado na origem do prolongamento do abate, que decorreu de 14 de Setembro até 23 de Outubro, «para além do que seria razoável».
«A garantia de que os procedimentos foram correctos advém dos resultados da vigilância extraordinária que foi realizada nas explorações avícolas de interesse pecuário, limítrofes», afirma a DGV em resposta à Lusa.
Segundo a DGV, uma das medidas adicionais, de protecção, teve início em 15 de Fevereiro de 2008, «quando se deu início ao programa de vacinação do efectivo reprodutor da exploração em questão e que foi aprovado pela Decisão 2008/285 de 19 de Março, da CE».
Em 12 de Setembro de 2007, o Laboratório Nacional de Investigação Veterinária comunicou à DGV que cinco das amostras recolhidas, cinco dias antes, na exploração, no âmbito do Plano de Vigilância da Gripe Aviária, tinham revelado resultados positivos ao subtipo H5 não N1 da doença, duas delas do tipo H5N2, sem riscos para os humanos.
Os abates de 81.961 patos iniciaram-se dois dias depois em duas explorações pertencentes à empresa Caça Brava, situadas a escassos 100 metros uma da outra, nos concelhos de Tomar e Vila Nova da Barquinha, sendo a pateira principal, com cerca de 200 hectares, uma das maiores da Europa, tendo na altura o prejuízo sido estimado em 675 mil euros.
De acordo com a DGV, o processo de indemnização do proprietário orçou em 368.825 euros, «com base em critérios estabelecidos oficialmente».
Fernando Jorge, proprietário das explorações, disse à agência Lusa preferir não recordar «os nervos e o prejuízo» de há um ano, considerando que o problema está «ultrapassado» e a situação «normalizada».
A DGV recorda que tem em curso um Plano de Vigilância de Gripe Aviária, bem como mantém um Plano de Contingência para a doença, que são regularmente avaliados e actualizados.
A avaliação do cenário de crise, bem como a preparação da actuação, teve em consideração o tipo de exploração, de patos bravos em vida livre, tipo de maneio e o sistema produtivo, sublinha.
Os perto de 90 mil patos foram abatidos com recurso a gelo seco em atmosfera fechada e controlada (com a libertação de CO2), «aquele que é oficialmente admitido sem provocar qualquer sofrimento desnecessário», acrescenta.
Fonte: Confagri
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