As empresas estão mal preparadas para a eventualidade de uma pandemia de gripe das aves, cujo impacto poderá ultrapassar o que a maioria dos directores estima.
O relatório, intitulado Corporate Pandemic Preparedness: Current Challenges to and Best Practices for Building a More Resilient Enterprise e realizado pelas empresas Mash e Grupo Albright, analisa o potencial impacto social e económico de uma pandemia de gripe das aves nas empresas.
Lembrando que o consenso científico indica que uma pandemia poderá afectar 20 por cento da população mundial, resultar num absentismo de 40 por cento e matar milhares de pessoas, o relatório considera que «as empresas devem preparar-se para lidar com um absentismo massivo e com a potencial perda de uma grande proporção dos seus funcionários e clientes».
No entanto, os investigadores responsáveis por este relatório encontraram «poucas empresas adequadamente preparadas para proteger o seu pessoal ou para assegurar a continuidade do seu negócio na ocorrência de uma pandemia», afirmou o presidente da unidade de consultoria de risco da Marsh, John Merkovski.
Um estudo da Marsh divulgado em Março último revela que em Portugal apenas 29 por cento das empresas inquiridas afirmaram ter um plano de contingência para uma pandemia de gripe das aves e apenas 10 por cento admitiu ter revisto os seus planos de saúde e benefícios para os empregados na perspectiva de uma doença contagiosa ou pandémica.
«Os resultados do nosso estudo demonstram claramente que são muito poucas as empresas que estão despertas para a importância dos planos de contingência», afirmou na altura o director-geral da empresa, Miguel de Pape, lembrando que o estudo se centrou apenas nas médias e grandes empresas.
«Sendo o nosso tecido empresarial constituído na sua grande maioria por pequenas e micro empresas, tememos que no caso de uma pandemia nos afectar seriamente, os resultados serão altamente preocupantes», disse por seu lado o director de Middle Market da Marsh.
Mas o problema é global. Na Ásia, onde é maior a percepção do risco de uma pandemia da gripe das aves, menos de um quarto das companhias tinham planos de contingência para continuar a operar quando uma pandemia ocorrer, disse o director do Grupo Albright, James O’Brien, lembrando que se uma pandemia começar na Ásia afectará todos os negócios mundiais.
A presidente deste grupo, a ex-secretária de estado norte-americana Madeleine Albright, lançou um apelo às empresas: «Não podemos dar-nos ao luxo de desenvolver uma espécie de cansaço relativamente à ideia de pandemia ou qualquer tipo de complacência face a este risco em partícula».
Considerando que a não preparação das empresas para um acontecimento deste tipo pode ser considerada como «negligência empresarial», o relatório agora divulgado aponta dez boas práticas para as empresas se prepararem para a gripe das aves.
Assumir a pandemia como um evento verdadeiramente catastrófico e não como uma perturbação fácil de gerir, constituir equipas de planeamento pandémico com orçamentos próprios, identificar fornecedores alternativos, analisar o perfil de vulnerabilidade e o grau de ameaça para a organização, identificar as principais necessidades farmacêuticas e não-farmacêuticas e dedicar atenção às questões de recursos humanos são algumas das medidas propostas.
Fonte: Sol
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