A Comissão Europeia confirmou ontem a presença “às portas da Europa” do temível vírus H5N1 da gripe das aves que, desde 2003, causou 60 mortos na Ásia.
“Recebemos agora a confirmação de que o vírus encontrado na Turquia é o vírus da gripe das aves H5N1, altamente patogénico”, anunciou o comissário europeu para a Saúde e Protecção dos Consumidores, Markos Kyprianu.
Nem todos os vírus da família “H5” da gripe das aves são fortemente patogénicos, mas o H5N1 é considerado o “melhor candidato” para provocar uma eventual pandemia de gripe caso ela se humanize, sublinham, por seu turno, os virólogos.
Sem esperar os resultados definitivos das análises, obtidos ontem de manhã, a Comissão Europeia decidiu desde segunda-feira um embargo sobre a importação de aves vivas e de penas provenientes da Turquia – produtos que tinham já sido interditos devido a outros problemas veterinários.
Ontem, Bruxelas tomou uma decisão idêntica para a Roménia: está proibida qualquer importação de aves vivas ou de qualquer produto à base de aves de capoeira provenientes destes países.
Em 2004, a Roménia exportou oito toneladas de galinhas vivas ou de carcaças, e perto de 6.500 toneladas de preparações à base de galinha, segundo os números fornecidos pela Comissão.
À semelhança da Comissão Europeia, também a Rússia proibiu a importação de aves da Roménia, onde foi constatada a existência do vírus, anunciou fonte do ministério da Agricultura, salientando que se trata de uma “medida preventiva”.
O comissário europeu recomendou igualmente uma vacinação das populações em risco, em particular os criadores de galinhas, com a vacina da gripe clássica.
“Aconselhamos os Estados-membros a armazenar antivirais, é a primeira linha de defesa”, considerou.
Para o vírus isolado na Roménia, a totalidade dos resultados das análises é ainda desconhecida, mas sabe-se que se trata de um primo (H5) do H5N1, também fortemente nocivo.
Na Turquia, os habitantes começaram a tomar precauções antes da confirmação de Bruxelas: em poucos dias, esgotaram 28.000 doses de Tamiflu, o único antiviral considerado eficaz para lutar contra a gripe das aves, que deve ser tomado apenas a título curativo.
Na Roménia, na ausência de Tamiflu, os habitantes recorreram à vacina da gripe normal.
Mas esta “corrida” está a um passo de se estender à Europa: compras frenéticas de Tamiflu foram já registadas na Bélgica, na Alemanha e em França, onde algumas farmácias estão em ruptura de stocks.
Entre os avicultores, os únicos que mantêm a serenidade são os suíços: o aparecimento do vírus da gripe das aves não preocupa “por ora” os criadores de galinhas na Suiça, indicou ontem Verena Steiger, porta-voz da sociedade Optigal à rádio suíça Romande.
No entanto, sublinhou, se o vírus aparecer nos países limítrofes da Suiça, os produtores seguirão o plano de acção criado pelas autoridades em Berna, que prevê a anulação temporária da criação ao ar livre.
Em Bruxelas, Markos Kyprianu estabeleceu uma “ligação directa” entre o “vírus turco” e os encontrados na Rússia, na Mongólia e na China, dando claramente a entender que o vector da doença “poderá ser transmitido pelas aves migratórias”.
Neste sentido, a UE está a estudar novas medidas preventivas para limitar os contactos entre as aves selvagens e as de capoeira que poderão, em certas zonas de risco, ser fechadas para evitar a propagação da gripe.
Já Portugal está em “alerta pandémico” face ao risco da gripe das aves, apesar de não ter sido detectado nenhum caso desta doença no país, disse à Lusa fonte da Direcção-Geral de Saúde (DGS).
Fonte do Ministério da Agricultura fez saber hoje que o sistema de vigilância da gripe das aves realizou, desde o início do ano, 1.800 análises em explorações avícolas portuguesas, mas não foi encontrado qualquer resultado positivo.
Além destes exames, está também prevista a realização de cerca de 500 análises à presença do vírus em aves migratórias.
Fonte: Lusa
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