Um total de 25.600 patos foram abatidos no fim-de-semana numa das duas explorações sequestradas no passado dia 12 após a detecção de casos do vírus H5N2 da gripe aviaria, disse hoje fonte que acompanha o processo.
Segundo a fonte, um novo abate vai realizar-se a partir das 18:00 de hoje na maior das duas explorações sequestradas, depois da chamada para alimentação, mas “existem muitas dúvidas” que se chegue ao número anunciado de 90.000 aves.
Frisando as dificuldades de um abate deste tipo, em que as aves andam à solta, com tendência para se afastarem quando sentem “movimentos fora do normal”, a fonte adiantou que a captura das aves se vai prolongar ao longo da semana, estando a ser equacionado deixar a pateira maior “em descanso” e passar para a outra.
“Temos a vantagem de ser uma situação de baixo risco”, disse.
A fonte afirmou que, no primeiro abate, realizado sexta-feira ao fim do dia, foram mortas 2.800 aves, tendo outras 15.000 sido abatidas sábado e mais 7.800 no domingo.
As explorações sequestradas, uma delas com cerca de 200 hectares (a maior pateira da Europa) pertencem à empresa Caça Brava e situam-se nos concelhos de Tomar e Vila Nova da Barquinha, a cerca de 100 metros de distância uma da outra.
As aves, que estão a ser abatidas com recurso a CO2 sólido, que permite o adormecimento antes de serem mortas, “para evitar sofrimento aos animais”, estão a ser colocadas em sacos, nos quais é metida cal, e depois enterradas em valas abertas na exploração, disse a fonte.
Ao contrário do que inicialmente foi divulgado, as aves não estão a ser incineradas, apenas enterradas juntamente com cal, uma vez que o grau de perigosidade não é elevado, acrescentou.
A fonte adiantou que o processo está a ser liderado pela responsável pelo acompanhamento da gripe aviária na estrutura da Direcção-Geral de Veterinária no Ribatejo Norte.
Segundo disse, todas as aves abatidas estão a ser contabilizadas, de forma a que o proprietário possa ser devidamente ressarcido dos prejuízos.
A empresa Caça Brava dedica-se à produção de patos para reservas de caça e, segundo o proprietário, 80 por cento das 90.000 aves das duas explorações estavam vendidas a associações espanholas de caçadores por 7,5 euros cada, pelo que o seu abate representará um prejuízo de 675 mil euros.
De acordo com o plano de contingência, ao abrigo das normas comunitárias, o proprietário será indemnizado através de fundos comunitários.
Uma norma de 16 de Abril deste ano obriga ao abate de todos os animais das explorações onde sejam detectadas variantes da gripe aviária, o que até então não era obrigatório.
A variante agora detectada não é prejudicial para o ser humano, pelo que o abate se deve a medidas preventivas no quadro do combate à Gripe das Aves na União Europeia.
A presença do vírus foi detectada nas análises a materiais colhidos nestas duas explorações, no âmbito de acções de rotina do Plano de Vigilância da Gripe Aviária.
Fonte: Agroportal
Segurança Alimentar Desde 2004 a tratar da Segurança Alimentar em Portugal