Gripe das Aves: 250 Agricultores Contestam Proibição de Venda em Feiras

Duas centenas e meia de produtores, criadores e vendedores de aves contestaram ontem, em Tondela, a proibição do comércio destes animais em feiras e mercados, exigindo medidas do Governo para atenuar os prejuízos.

Reunidos no Pavilhão Municipal de Tondela, no distrito de Viseu, os manifestantes defenderam que as medidas restritivas da venda de aves ao ar livre, devido à gripe das aves, “não se justificam” em Portugal, nesta fase.

“Enquanto o problema não estiver no nosso país, acho que devíamos trabalhar nos mesmos moldes”, disse Elpídio Crespo, vice- presidente da Associação de Criadores de Aves para o Mercado Rural (ACAMER).

Elpídio Crespo, que possui uma exploração avícola na zona de Leiria, adiantou que os avicultores que, como ele próprio, trabalham exclusivamente com postos de venda nos mercados e feiras, asseguram 30 a 35 por cento do mercado nacional de aves, envolvendo cerca de 10 mil empregos.

“Se a doença não existe, por que é que o Governo insiste?”, perguntava um manifestante, erguendo um cartaz.

Outro grupo questionava no mesmo sentido: “Se a galinha não gripou, por que é que a venda parou?”.

Alguns dos participantes chegaram mesmo a elevar a voz em protesto contra as medidas do Governo, enquanto falava o responsável máximo da Direcção Regional de Agricultura da Beira Litoral (DRABL), António Ramos.

“Há um princípio de precaução que está estabelecido na lei”, disse o director da DRABL, que integrava a mesa do encontro, juntamente com o sub-director Luís Brás.

António Ramos, pedindo calma aos agricultores, explicou que “o que o Estado português está a fazer não é por sua iniciativa”, mas no âmbito do plano de prevenção da gripe aviária adoptado pela União Europeia.

“Não está proibida a venda de frango. Não foi detectado o vírus (causador da doença) em Portugal”, acentuou.

A Direcção Geral de Veterinária anunciou sábado que “são proibidos os mercados avícolas, espectáculos, exposições e eventos culturais nos quais se utilizem aves”.

O director da DRABL esclareceu que as restrições impostas pelo Governo visam “evitar males maiores” e insistiu que as aves, no entanto, “podem continuar a ser vendidas dentro de algumas cautelas”.

“Estas medidas não são totalmente drásticas. Penso que não somos vossos inimigos e que vocês não são nossos inimigos”, afirmou, por seu turno, o sub-director da DRABL, Luís Brás.

O responsável vaticinou que as opções tomadas em termos de prevenção “podem a longo prazo surtir” resultados positivos para a economia nacional, para a saúde pública e para a maioria dos operadores do sector.

“Estamos exactamente no ciclo de passagem das aves migratórias” que poderão contaminar as produções domésticas e industriais de aves, enfatizou, ainda, António Ramos.

O responsável da DRABL disse que “o Estado não está para prejudicar seja quem for”, tanto mais que o país vive uma “situação de crise” e interessa também ao Governo que não aumente o desemprego.

António João Carrapiço, avicultor de Tondela e organizador do encontro, anunciou que uma delegação dos manifestantes seria recebida quinta-feira, às 10:00, pelo secretário de Estado da Agricultura, em Lisboa, para analisar a situação.

A gripe das aves, causada pelo vírus H5N1, matou mais de 60 pessoas no sudoeste asiático desde 2003 e vários focos foram detectados na Europa, existindo o receio de que uma mutação do vírus possa atacar os humanos

Fonte: Lusa

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