Na Região Demarcada do Douro estão a ser ultimados os preparativos para a próxima vindima, altura em que circulam milhares de pessoas entre vinhas e adegas, mas este ano com preocupações acrescidas devido à gripe A.
Em Setembro, os socalcos do Douro enchem-se de gente naquela que é considerada a maior festa da região, a das vindimas, com os trabalhos a repartirem-se entre o corte das uvas, nas vinhas, e o transporte para as adegas.
Algumas adegas e empresas durienses contactadas pela agência Lusa confirmam a preocupação acrescida com o vírus H1N1, sublinhando que as “vindimas não podem parar”.
A Quinta do Portal, no concelho de Sabrosa, já elaborou um plano de contingência para a adega, que terminou com as visitas turísticas à linha de enchimento, ficando estas restritas à plataforma construída num patamar superior, onde o visitante pode ter uma visão global do espaço.
A principal preocupação do enólogo da quinta, Paulo Coutinho, é “proteger e combater o absentismo do pessoal da adega”.
Desde o início de Julho foi ali implementado um programa de higienização e adquirido um stock de álcool em gel para os funcionários lavarem as mãos antes de começarem a laborar.
O responsável referiu ainda que foi realizada uma formação interna antes das férias, na qual se destacaram as preocupações a ter durante este período para garantir um normal regresso ao trabalho.
Durante as vindimas trabalham na adega da Quinta do Portal doze pessoas, sendo que, segundo Paulo Coutinho, apenas o funcionário da empilhadora tem contacto com os transportadores das uvas.
Mais difícil de controlar é o trabalho nas vinhas, até porque, segundo Fernando Pinto, responsável pela Adega do Rodo, no Peso da Régua, a mão-de-obra escasseia.
Muitas das quintas da região recorrem aos empreiteiros agrícolas para garantir a mão-de-obra necessária no período de vindima.
António Monteiro, proprietário da empresa Agri-penaguião, está preocupado, até porque os trabalhos nas vinhas “não podem parar”.
“Nesse período temos um grupo de 60 a 70 pessoas a trabalhar connosco, por isso temos que prevenir qualquer contágio, porque a vindima depois de começar não pode parar”, salientou.
António Monteiro referiu que os seus trabalhadores são todos oriundos da região – de Santa Marta de Penaguião, Lamego, Resende ou Baião – e têm “pouco contacto com o exterior”, pelo que considera que poderão estar mais “prevenidos contra um possível contágio”.
As adegas de Vila Real, Favaios, Santa Marta de Penaguião e Peso da Régua revelaram também preocupações com a gripe A no período de vindimas.
Embora ainda sem plano de contingência, o responsável pela Cooperativa de Favaios, Luís Barros, garantiu que vão ser tomadas “precauções” que incluem a elaboração de um conjunto de regras de actuação.
Durante as vindimas trabalham nesta adega cerca de 50 pessoas, que vão receber as uvas de 600 sócios.
Nuno Ferreira Borges, da Adega de Vila Real, referiu que a cooperativa vai elaborar a programação das vindimas tendo em conta a gripe A e seguindo as recomendações das autoridades públicas de saúde.
“A situação está sempre a mudar, por isso iremos agir de acordo com o que for indicado para daqui a um mês, data prevista para o início das vindimas”, afirmou.
Fonte: Agroportal
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