O medo da gripe A provocou uma corrida aos produtos desinfectantes, levando à ruptura de stocks. Há fornecedores com aumentos de 300 por cento nas vendas.
Mas também há quem apenas tenha dinheiro para álcool ou sabão azul e branco.
Nos últimos dias, os frascos de gel desinfectante têm sido verdadeiras estrelas nas farmácias e postos de venda livre de medicamentos, assim como em alguns supermercados.
Em alguns estabelecimentos, estes produtos já estão mesmo esgotados, apesar de terem um custo unitário entre quatro a seis euros.
Na farmácia Almeida Cunha, no Porto, o gel já está esgotado e são muitas as questões levantadas pelos clientes sobre a melhor forma de se prevenirem contra a gripe A (H1N1), como disse à Lusa a farmacêutica Teresa Figueiras.
«As pessoas estão mais confusas do que preocupadas», disse, adiantando que, até agora, este tipo de produtos praticamente não tinha saída, pois a lavagem das mãos sempre se revelou «suficiente» para travar contágios.
Em Coimbra, a Farmácia Adriana tem registado boas vendas de embalagens individuais de gel desinfectante. O director técnico deste estabelecimento, João Pimentel, contou à Lusa que, desde que expôs o produto, a procura aumentou.
Para João Pimentel, as pessoas procuram estes produtos porque são «práticos» para quem quer garantir alguma desinfecção de uma forma rápida. «E nem é muito caro», comentou.
Em Lisboa, são várias as farmácias e as parafarmácias que estão a apostar na promoção e venda destes produtos, seja em embalagens de gel líquido, seja em embalagens individuais de toalhetes. As máscaras continuam igualmente a ser muito procuradas.
Este aumento da procura tem reflexos nos fornecedores. A Exaclean, que se assume como «especialista em produtos de higiene e limpeza», regista aumentos nas vendas na ordem dos 300 por cento, como disse à Lusa o seu director comercial, Pedro Henriques.
Fornecedora do gel desinfectante «mais vendido em todo o mundo», esta empresa não tem mãos a medir com as encomendas e tem já esgotado um produto: as toalhitas desinfectantes que «eliminam 99,99 por cento das bactérias».
Segundo Pedro Henriques, o aumento da procura tem vindo a acentuar-se nos últimos tempos, principalmente nos últimos quatro dias.
Entre os clientes desta empresa estão instituições de saúde, misericórdias, indústria alimentar, hospitais e restaurantes.
Todos eles, disse Pedro Henriques, estão a apostar numa desinfecção mais rigorosa e não apenas através dos produtos mais comuns e até agora vendidos.
A procura é de tal ordem que, actualmente, a fábrica que produz o gel desinfectante comercializado por esta empresa, sedeada nos Estados Unidos, apenas garante um décimo da produção necessária.
A marca Dettol, que pode ser adquirida nos supermercados, também tem sido muito procurada.
Nos últimos dias, os expositores têm sido muito visitados pelos clientes e alguns já têm produtos esgotados, como os toalhetes desinfectantes.
«Num cenário de preocupação crescente com surtos gripais, nomeadamente a preocupação com a gripe A, esta necessidade de higienização é cada vez mais percebida pelo consumidor, pelo que as vendas tiveram um crescimento associado a este fenómeno», adiantou fonte da empresa, confirmando o aumento de vendas nos últimos tempos.
A mesma fonte disse que, dentro da gama da Dettol, os produtos anti-bacterianos mais procurados são os sabonetes líquidos e a pistola para limpeza e desinfecção diária de superfícies.
Igualmente conscientes, mas sem meios para adquirir estes artigos, alguns consumidores optam por produtos mais baratos, como o álcool etílico.
É o que está a acontecer na Farmácia Silvestre, em Beja, disse à Lusa a técnica Emília Vieira. «As pessoas não têm grande poder de compra e, por isso, levam mais álcool para desinfectarem as mãos, gastando apenas 70 cêntimos», adiantou.
O sabão azul e branco também tem tido uma grande procura. E é nele que acreditam vários profissionais das farmácias contactadas pela Lusa que, apesar de verem com bons olhos o aumento de vendas dos desinfectantes, acreditam nos benefícios do sabão que mais branco lava.
A proprietária de uma farmácia no Porto, que pediu para não ser identificada, «por causa do negócio», disse mesmo que, quando é questionada sobre o melhor produto contra a gripe A, não recomenda antivirais nem desinfectantes: «Vitamina C e sabão azul e branco são os melhores remédios.»
Fonte: Diário Digital
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