Governo recusa intervir na evolução do preço do leite

O ministro da Agricultura, Jaime Silva, afirmou em Vila do Conde que “o Governo não vai intervir” na polémica sobre a redução do preço do leite ao produtor. “Eles [produtores] sabem que o Governo não vai intervir. Os três dias de paralisação de que falam não vão resolver o problema”, disse Jaime Silva, no final de reuniões com dirigentes de associações e cooperativas de agricultores.

O ministro manifestou-se “sensível” às queixas dos produtores de leite, sublinhando que “o sector também está sob forte pressão dos importadores de França e Alemanha”, que tentam colocar em Portugal leite mais barato. “A força do sector leiteiro português resultou muito do associativismo e do cooperativismo. Criou-se em Portugal um sector competitivo”, afirmou, destacando a “magnífica empresa”, Lactogal, criada no país.

Jaime Silva garantiu que vai defender na União Europeia a manutenção de quotas máximas de produção de leite por país. “Não queremos liberalizar as quotas a partir de 2015”, frisou, referindo que, se essa liberalização vier a ser aprovada, Portugal vai exigir de Bruxelas ajudas compensatórias para os produtores portugueses.

Cerca de 200 produtores de leite e carne manifestaram-se em Vila do Conde contra a descida dos preços à produção, que, dizem, está a deixar os agricultores em “situação muito difícil”. Manuel Vilaça, presidente da Associação de Produtores Leiteiros Nacionais [???] disse que na concentração estavam agricultores sobretudo do Entre Douro e Minho, mas também do Douro Litoral e de Trás-os-Montes.

Em causa estará a descida continuada do preço do leite e da carne ao produtor, sobretudo desde Junho. “O preço do leite desceu cinco cêntimos em Junho e mais dois cêntimos este mês”, disse, salientando que, “neste momento, o preço por litro está nos 36 cêntimos, quando até há algum tempo chegava aos 44 cêntimos”.

Para os produtores, “há qualquer coisa que não bate certo”, já que em Dezembro, Janeiro e Fevereiro “não aparecia leite à venda ao consumidor”, o que fez disparar os preços, mas agora “está tudo a nadar em leite”. “Não sei se é especulação por parte dos mercados ou se há outras manobras por trás para acabar com o cooperativismo e instalar o liberalismo económico”, afirmou Manuel Vilaça. “Dizem que é problema das grandes superfícies. Estão a esquecer-se dos produtores e a olhar só para a parte comercial”, lamentou o dirigente associativo

Fonte: Anil

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