O Governo Regional dos Açores anuncia a aquisição, por 800.000 euros, de 51% do capital da açucareira SINAGA, a única empresa transformadora de beterraba existente em Portugal.
“Acreditamos na viabilização da empresa”, afirmou o vice-presidente do Executivo regional, Sérgio Ávila, numa conferência de imprensa em Ponta Delgada, salientando a importância estratégica da SINAGA enquanto “empresa que reduz as importações e potencia a exportação”.
A decisão de adquirir a maioria do capital teve em conta o facto de a cultura da beterraba “assumir uma alternativa credível à monocultura das pastagens e um papel muito relevante no incremento dos rendimentos agrícolas”. Nesse sentido foi definido como objectivo estratégico aumentar a utilização de beterraba local das 6.613 toneladas registadas em 2009 para 22.857 toneladas em 2013, o que implica o aumento da área cultivada dos actuais 160 hectares para 325 hectares em 2011 e 508 hectares em 2013.
Para o secretário regional da Agricultura, Noé Rodrigues, também presente na conferência de imprensa, a “credibilização” da empresa, através desta intervenção do Governo, será um motivo importante para convencer os agricultores a apostar na cultura da beterraba. “Com a credibilização da Sinaga não tenho dúvidas que os agricultores vão aderir”, afirmou, salientando ainda o pacote de apoios que o Executivo vai disponibilizar para promover o aumento da produção de beterraba nos Açores.
Sérgio Ávila revelou que o plano de recuperação da açucareira açoriana tem um horizonte temporal de quatro anos, esperando o Governo “devolver a empresa ao sector privado” no final desse período.
A viabilização da Sinaga passa por uma redução de 750.000 euros por ano nos custos administrativos e de funcionamento, mas o Governo açoriano assumiu o compromisso de manter todos os postos de trabalho existentes.
Relativamente aos restantes accionista da Sinaga (entre os quais se encontra a RAR, que detém 18% do capital), Sérgio Ávila afirmou esperar um bom entendimento, que poderá permitir o aproveitamento de sinergias que facilitem a recuperação da empresa.
O vice-presidente do Governo açoriano assegurou ainda que a aquisição da maioria do capital da açucareira é uma medida “absolutamente excepcional”, tomada devido ao “grave impacto económico e social” que o seu encerramento poderia causar.
“O Governo não tem previsto ou em estudo a intervenção através da aquisição de capital em outras empresas regionais”, frisou Sérgio Ávila, acrescentando no entanto que o Executivo continua a acompanhar de perto a situação das empresas açorianas de forma a “assegurar um clima de estabilidade económica e social”.
Sérgio Ávila lançou ainda um apelo aos consumidores açorianos para que ajudem na recuperação das empresas da região, optando pela aquisição de produtos locais em detrimento dos provenientes do exterior do arquipélago.
Fonte: Agroportal
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