O Ministério da Agricultura e Pescas vai começar a fazer testes de vacinação nos coelhos bravos para travar a epidemia de febre hemorrágica que está a dizimar a espécie, segundo adiantou ao JN o secretário de Estado dos Recursos Florestais , Rui Gonçalves.
Em causa está não apenas a manutenção do coelho bravo enquanto espécie cinegética, mas também necessidade de garantir o equilíbrio natural. “O coelho bravo é um elemento muito importante para a sobrevivência de predadores. Se não conseguirmos garantir a saúde da espécie pode haver desequilíbrios porque a taxa de mortalidade numa área infectada é da ordem dos 80% a 90%”, alertou Rui Gonçalves.
A informação foi prestada durante o acompanhamento de um dia de caça, em Mértola, realizada pela Associação de Caçadores Monte Manuel Galo, e onde participou o secretário de Estado do Orçamento, um aficcionado da caça, que, no entanto, ontem teve azar – “da próxima vez corre melhor”, adiantou -, expressando também satisfação por estar a ser encontrada resposta para a epidemia que atinge o coelho bravo.
Aliás, como salientou Rui Gonçalves, o alerta partiu dos caçadores “Começaram a sentir a redução nas populações da espécie”. O ministério começou a trabalhar numa solução para a epidemia, um trabalho que prossegue em conjunto com a Espanha, que também sofre com o mesmo problema sanitário.
No mês passado houve aliás uma reunião em Madrid entre as autoridades de saúde animal dos dois países e em Portugal os serviços veterinários vão começar a trabalhar no próximo ano nos primeiros testes da vacina. “É uma acção que vamos desenvolver na Herdade da Comenda”, aponta o secretário de Estado, explicando que se trata de uma infra-estrutura estatal – zona de caça nacional – localizada em Moura. O objectivo é vacinar alguns animais contra a febre hemorrágica, partindo do princípio de que a imunidade conseguida possa ser transmitida aos outros coelhos que vivam no mesmo espaço. “Se os resultados forem positivos, iniciaremos a campanha de vacinação”.
Mas o Governo está também a tentar identificar a origem do problema, que apontou Rui Gonçalves, pode ter surgido também com a “importação ilegal de animais” para repovoamento de áreas de caça e que pode ter trazido animais doentes.
Rui Gonçalves não quis precisar qual a origem das populações doentes, mas entre os caçadores corre de que terá vindo de Espanha, uma tentação durante as fases de repovoamento de áreas de caça. Mas o governante sustenta que a “importação não é ilegal, tem é que ser fiscalizada para haver a garantia de que os animais importados vêm em perfeitas condições sanitárias”.
Essa tarefa vai caber ao Serviço de Protecção da Natureza (SEPNA) da GNR. “Já estabelecemos acordos nesse sentido com o Ministério da Administração Interna e vamos incrementar a fiscalização”, apontou.
Fonte: Jornal de Notícias
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