O ministro da Agricultura chamou os principais hipermercados para os sensibilizar para a necessidade de escoar mais rapidamente o arroz nacional, disse o secretário de Estado da Agricultura, Luís Vieira, à Lusa.
Para além da reunião de sensibilização entre Jaime Silva e os representantes de grupos como a Jerónimo Martins, Sonae ou Auchan e Intermarché, em breve, a questão dos preços está também a merecer a atenção da ASAE (Autoridade de Segurança Alimentar e Económica), que está a analisar os valores do arroz nos super e hipermercados.
“A ASAE já está a analisar se os preços estão a ser correctamente praticados, se as regras de concorrência estão a ser cumpridas”, disse o governante.
O secretário de Estado adjunto da Agricultura e Pescas acrescentou que Jaime Silva convocou para uma reunião responsáveis da grande distribuição para “sensibilizar para a necessidade de garantir o escoamento da produção nacional”, como o arroz carolino ou o leite, e “procurar uma solução de maior equilíbrio”.
As principais associações do sector do arroz foram hoje recebidas por Luís Vieira e transmitiram a sua preocupação com os preços baixos praticados para o arroz nas lojas, nomeadamente para o arroz agulha, na sua maior parte importado.
O presidente da Associação dos Orizicultores de Portugal (AOP), Carlos Laranjeiro, disse à Lusa que “as grandes superfícies conduzem o consumidor para o arroz agulha através da prática de dumping, nomeadamente nas marcas brancas” (marcas próprias).
Falando também em nome da Associação Nacional dos Industriais de Arroz (ANIA) e da Associação Portuguesa de Produtores e Industriais de Arroz (APPIA), Carlos Laranjeiro defendeu que, devido à má estratégia da distribuição, “existe um excesso de arroz carolino, o que está a provocar estrangulamento” para a colheita deste ano, já que ainda existe arroz da campanha de 2008.
“Não é possível vender arroz a 47 ou 49 cêntimos o quilo”, como acontece com o agulha importado, salienta o presidente da AOP, defendendo que “é preciso regulamentação”.
“Não queremos aumentar os preços no consumidor, queremos equilíbrio de preços”, frisou.
Por sua vez, o secretário de Estado reconhece que o Governo está preocupado com o mercado do arroz, onde os preços estão muito baixos desde o segundo semestre do ano passado, após um período de valores elevados.
Luís Vieira exemplifica com a relação entre o preço do arroz agulha, de 49 cêntimos o quilo, e do arroz trinca (um subproduto normalmente utilizado para alimentar animais domésticos), de 50 cêntimos, o que “merece alguma reserva”.
O arroz carolino representa cerca de 90 por cento do total de produção de arroz em Portugal, de cerca de 150 mil toneladas, e “adapta-se a características da gastronomia portuguesa”, como fez questão de salientar o secretário de Estado adjunto da Agricultura.
O consumo de arroz em Portugal é de cerca de 300 mil toneladas, o maior consumo per capita na União Europeia, acrescentou.
Fonte: Confagri
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