O Governo vai apoiar com 150 mil euros a construção, em Évora, de um Centro de Testagem de Reprodutores da Raça Bovina Mertolenga, considerado fundamental para a melhoria da base genética daquela raça autóctone portuguesa.
O Centro de Testagem, que envolve um investimento global de 470 mil euros, vai ser erguido na Herdade dos Currais, perto de Évora, local onde foi ontem assinado um protocolo para formalizar o apoio governamental ao projecto.
O protocolo, estabelecido entre a Direcção-Geral de Veterinária (DGV) e a Associação de Criadores de Bovinos Mertolengos (ACBM), foi homologado pelo secretário de Estado Adjunto da Agricultura e das Pescas, Luís Vieira, em representação do ministro Jaime Silva.
A criação do Centro de Testagem, segundo o Ministério da Agricultura, está integrada na colaboração que a DGV e a ACBM mantêm desde 1987 relativamente às raças de bovinos Alentejana e Mertolenga, ambas raças autóctones do Alentejo.
“As duas entidades têm trabalhado no sentido de melhorar e promover a base genética autóctone de produção de carne nacional, sustentada nas raças Alentejana e Mertolenga”, realça o ministério.
A região do Alentejo possui actualmente um total aproximado de 250 mil vacas, das quais 18.600 são de raça Mertolenga, cuja testagem de reprodutores já é feita no Centro de Experimentação do Baixo Alentejo.
O novo centro em Évora, que deverá estar concluído em “finais de Março do próximo ano”, segundo Feliciano Reis, coordenador da ACBM, vai ser “fundamental para melhorar a base genética dos Mertolengos”.
“Na prática, vamos seleccionar os melhores bovinos jovens de cada criador e colocá-los no centro, a partir dos sete meses e até aos dois anos de idade, para que seja feito um controlo e acompanhamento do seu crescimento”, disse Feliciano Reis, em declarações à Agência Lusa.
Os potenciais de crescimento e reprodutivo de cada um desses exemplares vão sendo avaliados, a par da criação de um banco germoplasma, com colheitas de sémen conservadas a frio.
“Os exemplares com melhores índices de desempenho regressam depois à exploração pecuária de origem para serem reprodutores e o controlo vai estender-se aos respectivos filhos”, acrescentou.
Desta forma, disse, “o sémen de um exemplar que se revele excepcional, por exemplo, ao fim de três gerações”, pode ser utilizado para inseminar artificialmente vacas de Raça Mertolenga existentes no universo de criadores da ACBM.
“Seleccionando os melhores, vamos melhorando e aperfeiçoando a base genética desta raça, cuja carne é de grande qualidade”, frisou Feliciano Reis.
Com quase três centenas de associados, a ACBM congrega criadores pecuários do Alentejo, Vale do Sado, Ribatejo e zona Sul de Castelo Branco.
Fonte: Lusa
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