Gato morre com gripe das aves na Alemanha

A Alemanha confirmou ontem o primeiro caso de gripe aviária em gatos. O animal, infectado com o H5N1, foi encontrado morto perto da baía de Wittow, na ilha de Ruegen, onde está a maioria das 129 aves selvagens contaminadas com a doença, no país. O laboratório que detectou o caso pediu aos habitantes da região para não deixarem os seus gatos circular livremente na rua. O Governo convocou para hoje uma reunião da célula de crise.

Segundo o Instituto Freidrich Loeffler, que analisou o gato encontrado morto durante o fim-de-semana, o animal era portador do H5N1, o vírus letal que desde 2003 já matou 93 pessoas no mundo. No entanto, ao final do dia, faltava confirmar se se tratava da forma mais patogénica.

“Embora todos os cadáveres [de aves mortas] se encontrem no interior de um vasto perímetro de segurança, há animais que continuam a morrer com o H5N1, o que poderá constituir uma fonte de contaminação”, afirmou Thomas Mettenletier, presidente do instituto, lembrando que “já se sabia pela Ásia que os gatos podem ficar contaminados se comerem aves infectadas”. Por isso, apelou aos donos de gatos da região para vigiarem os animais.

Também o Ministério da Agricultura alemão apelou à vigilância, mas evitando reacções de pânico injustificadas. O Governo francês, por outro lado, encomendou um estudo para avaliar os riscos de transmissão da doença aos gatos.

Esta não é a primeira vez que um felino contrai a doença. Recorde-se que, há três anos, a Tailândia alarmou o mundo ao anunciar a morte de tigres e leopardos, alimentados com carcaças de galinhas, que haviam sido contaminados pelo H5N1 num jardim zoológico. Três meses depois, também a morte de vários gatos de uma família tailandesa foi atribuída ao vírus, embora tal nunca tenha sido confirmado em laboratório. Em Setembro de 2004, um estudo publicado na Nature demonstrava ser possível esse tipo de contaminação.

Contactada pelo DN, Graça Freitas, subdirectora-geral da Saúde, diz não haver razão para alarme, sobretudo em Portugal, onde a gripe nem chegou às aves. “Do ponto de vista científico, estamos a assistir na Europa ao que já aconteceu na Ásia. Não é uma nova espécie que está a ser infectada, o vírus não mutou”, sublinha, considerando a situação esporádica e rejeitando, por isso, que o caso aumente o risco de adaptação do vírus ao homem. Da mesma forma que não há provas de o homem ser capaz de transmitir, o mesmo se deverá passar em relação ao gato.

O contágio faz-se por inalação. “O facto de a Europa ter capacidade para encontrar situações esporádicas como esta é bom sinal”, assegura Graça Freitas.

Fonte: DN

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