Galp sem interesse no bioetanol

Os projectos de bioetanol de primeira geração são inviáveis, porque não têm qualquer racionalidade económica, considera o presidente executivo da Galp, Manuel Ferreira de Oliveira. “Só pelos subsídios que lhes são atribuídos é que poderão ser momentaneamente atractivos, mas, mesmo assim, há poucas certezas sobre a sua rentabilidade, senão veja-se o que aconteceu aos projectos de etanol equacionados para o mercado espanhol, que pararam”, adianta.

Ferreira de Oliveira refere que a Galp só pretende investir em projectos sólidos, cuja viabilidade não dependa de subsídios conjunturais. “Os nossos investimentos industriais são pensados a longo prazo”, explicou, admitindo que há uma incerteza muito grande em relação aos apoios concedidos pela União Europeia aos biocombustíveis, até num horizonte de curto prazo.

A médio prazo, o custo dos refinados vegetais será incorporado sem subsidiação no preço dos combustíveis fósseis. Em média, os refinados vegetais custam cerca de 20% a 30% mais que os refinados petrolíferos. Se os combustíveis rodoviários incorporarem 10% de refinados vegetais, isso quer dizer que cada litro de biocombustível custará mais 2 ou 3 cêntimos.

Esta questão será sensível para os projectos de refinarias de etanol que obtiveram a classificação de Projecto de Interesse Nacional (PIN) por parte do Estado português. São os casos da ETHAGAL, liderada pela SAPEC, de Eduardo Catroga, e da Lusofuel, liderada pela Fomentinvest, de Ângelo Correia. Ainda há um terceiro projecto da Cobin, embora tenha assumido menor protagonismo.

Os planos de negócio para estas refinarias foram efectuados com base em dados de 2006, quando a tonelada de milho estava a ser cotada a 150 euros. Hoje, cada tonelada de milho paga-se a cerca de 220 euros. Talvez por isso, os apoios à produção de bioetanol passaram de aproximadamente 300 euros para quase 400 euros por cada mil litros.

Esta indústria seria suportada pela produção nacional de milho, que está entre as mais competitivas da Europa. O Ribatejo tem mesmo uma das maiores rentabilidades europeias por hectare de milho cultivado. No sector da refinação considera-se que será muito importante que Portugal alinhe na construção de refinarias de etanol de primeira geração, para depois fazer a respectiva modernização para unidades de segunda geração. Contudo, a aposta da Galp continua centrada no biodiesel.

Fonte: Anil

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