Gado bebe nos bombeiros

Há cerca de mês e meio que os agricultores dos concelhos de Serpa e Mértola transportam, por semana, em média, um milhão e 700 mil litros de água para dar de beber ao gado. Com os furos e as charcas a secarem, estes homens vêem-se a braços com gado cheio de sede e mais despesas, a somar às da alimentação.

Entretanto, os autotanques dos agricultores são poucos para tanto trabalho. Alguns destes homens dispõem de autotanques de cinco mil litros, outros, por falta de meios, acabam por ter que pedir o serviço aos bombeiros, o que nem sempre é satisfeito.

“De dia 15 de Junho a dia 30 do mesmo mês fizemos quatro abastecimentos e recusámos outros tantos”, disse ao CM Paulo Silva, adjunto do comando dos Bombeiros Voluntários de Serpa. Só com um autotanque, com capacidade para 11 mil litros, é arriscado ter este carro em montes distantes, pois a qualquer momento pode ser necessário no combate aos incêndios.

“A partir das 09h30 já não temos o carro fora do quartel. É que além da demora do regresso, são necessários mais 30 minutos para encher o depósito”, lembrou.

O custo deste transporte fica bem mais caro caso seja feito pelos bombeiros. Os 11 mil litros de água ficam a 55 euros, aos quais se somam os quilómetros.“A maioria dos seviços ronda os 75 euros”, acrescentou.

Em Mértola, os bombeiros fazem uma média de quatro serviços por dia, dispõem de dois autotanques e ainda não recusaram serviço.

Leonardo Agostinho, um agricultor que desde finais de Novembro carrega água até junto das suas vacas, viu-se obrigado a comprar um autotanque. Com a exploração na freguesia de Vila Nova de S. Bento (Serpa), o calor tudo lhe tem secado e a charca de onde retira a água está quase vazia. “Dá para um mês”, diz.

Um pequeno depósito, de 500 litros, foi das últimas aquisições de Delfim Pereira. Em combustível, no transporte do precioso líquido de uma ponta da propriedade para outra, este agricultor gasta 25 euros/dia. “Faço sete viagens para dar de beber às vacas e mais quatro para levar água às ovelhas.”

EXÉRCITO FAZ EXERCÍCIO

Com vista à preparação da operação que envolve o abastecimento, realiza-se terça-feira, a partir das 09h30, no Regimento de Infantaria n.º 3, em Beja, um exercício conjunto do Exército e da Protecção Civil.

A ajuda do Exército, anunciada numa reunião tida há poucas semanas no Governo Civil de Beja, é pedida há muito pelos agricultores.

Da Região Militar Sul a informação dada ao CM é de que o assunto está “em fase embrionária” e que está a ser tratado pelo Estado-Maior do Exército. Daqui, foi-nos dito que o Exército tem respondido às solicitações do Governo Civil de Beja nesta matéria, estando o apoio a ser prestado. Porém, o assessor do governador civil garantiu que “o processo ainda está numa fase de planeamento”.

CAPTAÇÕES DE ÁGUA

BUROCRACIA

Autorizados a ir buscar água à Barragem do Enxoé, os agricultores não o têm feito porque a burocracia é muita e requer um período de espera para cada autorização.

SERPA

Com um único furo no quartel, os Bombeiros de Serpa assistem a uma redução acentuada da água que de lá sai. De 33 mil litros diários passou para os 11 mil, e a muito custo.

OBRAS

O Conselho de Ministros aprovou um decreto que cria um regime excepcional para a contratação de empreitadas de obras públicas, para acorrer a situações derivadas da seca.

Fonte: Correio da Manhã

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