Na cimeira dos países industrializados do G8, no Japão, a chanceler alemã, Angela Merkel anunciou uma série de medidas para lutar contra a crise alimentar mundial, que pode ter repercussões na segurança internacional.
Numa entrevista ao diário “Tagesspiegel Am. Sonntag”, a chanceler garantiu que um «vasto leque de medidas» deverá ser adoptado na cimeira dos oito grandes países industrializados, a decorrer desde ontem, dia seis de Junho, e depois em Toyako, na ilha setentrional de Hokkaido.
As medidas em questão visam «aliviar a curto prazo a crise alimentar» e «obedecerão a uma estratégia de longo prazo para aumentar a produção agrícola mundial», advertindo Merkel contra os efeitos devastadores que poderia ter uma crise alimentar mundial de longa duração.
Segundo a revista “Tagesspiegel”, tal crise poderia ter consequências como colocar em risco a democracia, provocar instabilidade nos «estados e criar problemas para a segurança internacional», refere a publicação, citando um documento de seis páginas enviado na segunda-feira passada pela chanceler aos seus colegas dos restantes sete países do G8, nomeadamente o Canadá, Estados Unidos, França, Reino Unido, Itália, Japão e Rússia..
Os países do G8 vão criar durante esta cimeira um grupo de trabalho para lutar contra a crise alimentar mundial, noticiou também na última segunda-feira o diário japonês “Yomiuri Shimbun” citando fontes governamentais de Tóquio.
Segundo o mesmo jornal, o grupo de trabalho vai examinar a possibilidade de suprimir certas restrições às exportações, que impedem os países mais necessitados de aceder aos excedentes alimentares dos países ricos.
O presidente norte-americano, George W. Bush, e o seu homólogo russo, Dmitri Medvedev, que participa pela primeira vez na Cimeira do G8, foram recebidos, na chegada ao Japão, pelo primeiro-ministro japonês, Yasuo Fukuda.
Da circunstância ficou apenas a promessa de George Bush, de saída da Casa Branca, em aplicar-se no combate às alterações climáticas, um dos temas quentes deste encontro, a par da crise económica mundial.
O primeiro-ministro japonês destacou, numa entrevista dada com o presidente americano, no que diz respeito ao aumento dos preços dos alimentos e do petróleo, ambos os governantes concordam que é «preciso fazer esforços urgentes».
A Cimeira, que termina na quarta-feira, dia nove de Julho, deve decidir que continuidade os líderes mundiais darão ao Protocolo de Quioto, que expira em 2012 e nunca foi assinado pelos Estados Unidos.
Europa e Japão querem que o G8 se comprometa em Toyako a reduzir a metade as suas emissões de gases poluentes até 2050, mas os Estados Unidos são contra qualquer compromisso que não inclua a Índia e a China.
A reunião do G8 ocorre num período especialmente frágil para a economia dos países industrializados, provocado pela alta dos preços do petróleo e dos alimentos, que se somam à crise financeira que abala os Estados Unidos e a Europa, diz o Jornal de Notícias.
Fonte: Jornal de Notícias
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