O Presidente francês, Jacques Chirac, rejeitou hoje, numa entrevista televisiva, qualquer concessão sobre a Política Agrícola Comum (PAC) nas discussões sobre o orçamento europeu, invocando o interesse geral.
“Não estou disposto a fazer a menor concessão sobre a PAC”, afirmou aos jornalistas, quando questionado sobre as discussões sobre as perspectivas financeiras europeias para o período 2007-2013.
O modelo de financiamento da agricultura europeia, de que beneficiam os produtores franceses, foi posto em causa pelo primeiro-ministro britânico, Tony Blair, no último Conselho europeu, causando um impasse nas negociações.
Para Chirac, a preservação da PAC “não é apenas para defender os interesses dos agricultores franceses”, mas do resto do mundo.
“Todo o mundo está preocupado com a segurança alimentar. Ela [a segurança] é mais bem assegurada na Europa. Nós damos o exemplo, nós puxamos o mundo para a qualidade”, justificou.
As duas prioridades “imediatas” da União Europeia (UE), no entender do chefe de Estado gaulês, são o orçamento e ultrapassar a crise institucional criada pelo “não” à ratificação da Constituição Europeia em França e na Holanda.
A propósito da rejeição francesa do Tratado Constitucional Europeu, Chirac recusou que esteja enfraquecido no plano internacional e afirma-se “seguro” na defesa dos valores franceses, rejeitando ver o resultado como uma “humilhação” pessoal.
Passando à política interna, onde a luta ao desemprego passou a ser a prioridade do novo Governo de Dominique de Villepin, nomeado após a rejeição da Constituição Europeia, o Presidente francês afirmou não invejar o modelo britânico.
Embora tenha admitido que “o desemprego é menor que o nosso (4,7 por cento no Reino Unido, contra 10,2 por cento em França), Chirac reivindica o sucesso nas políticas de saúde, luta contra a pobreza ou de investimento económico.
Todavia, reconhece dificuldades no combate ao desemprego em França, que não desce dos 10 por cento desde o início do ano.
“É preciso fazer outra coisa, é preciso mudar verdadeiramente”, sublinhou.
A tradicional entrevista do 14 de Julho ao chefe de Estado, feita pelos jornalistas Arlette Chabot (France 2) e Patrick Poivre d”Arvor (TF1), foi antecedida de diferentes comentários, com alguns membros do seu partido a pedirem uma mensagem de confiança e vitalidade.
Menos interessado mostrou-se o seu rival, o ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, potencial candidato às eleições presidenciais de 2007, que disse não ter “grande interesse” pela intervenção do Presidente.
Chirac evitou qualquer polémica com Sarkozy e não respondeu se irá apresentar a recandidatura ao cargo, alegando que a questão “é completamente prematura” e que a sua decisão será conhecida “no momento certo”.
A entrevista televisiva de Jacques Chirac realizou-se após o tradicional desfile militar nos Campos Elísios, na parte da manhã, em comemoração dos 216 anos da Revolução Francesa.
Este ano, o acontecimento teve como convidado de honra o Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, no quadro do Ano do Brasil em França, que decorre até ao final de Dezembro.
No desfile participaram ainda militares brasileiros, que encerrou com a passagem de uma esquadra de sete aviões Tucano brasileiros.
O evento mobilizou cerca de 5.000 polícias franceses para assegurar um apertado sistema de segurança, em consequência dos atentados de Londres da semana passada.
Fonte: Agroportal
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