Fome: Mais de 850 milhões de pessoas subalimentadas no mundo

Mais de 850 milhões de pessoas estavam subalimentadas entre 2001 e 2003, segundo o relatório anual sobre Segurança Alimentar da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), que será apresentado hoje em Roma.

No documento que será divulgado na 32º sessão do comité de segurança alimentar mundial da FAO, a decorrer em Roma de segunda-feira a sábado, a organização sublinha que este número quase não sofreu qualquer redução desde 1990-92, enquanto que “o mundo é mais rico hoje do que há dez anos”.

As últimas estimativas, referentes ao período de 2001-2003, referem 854 milhões de pessoas encontravam-se abaixo do limiar das 1.900 calorias por dia, e que, deste total, 820 milhões viviam em países em desenvolvimento. Em 1996, a Cimeira mundial da alimentação em Roma tinha fixado para 201 5 o ambicioso objectivo de reduzir de metade a fome no mundo em relação ao período 1990-92, ou seja, chegar a 412 milhões de pessoas subalimentadas. “Dez anos depois, confrontamo-nos com uma triste realidade: nenhum progresso foi realizado realmente para este objectivo”, sublinha Jacques Diouf. A baixa de três milhões registada nos países em desenvolvimento (de 823 para 820 milhões) é tão fraca que “pode ser atribuída a um erro estatístico”, acrescenta o relatório no seu preâmbulo.

“As tendências mais recentes são realmente preocupantes”, sublinha a FAO, que nota um aumento de 26 milhões de pessoas subalimentadas entre 1995/97 e 2 001/03, após uma baixa de 100 milhões nos anos 80.

A FAO alerta para a situação da África subsaariana, onde o número de pessoas subalimentadas passou de 169 milhões em 1990/92 para 206,2 milhões em 2001 /03.

Já na África central (Camarões, República Centro-Africana, Chade, Congo , República democrática do Congo e Gabão) existiam 46,8 milhões de pessoas subalimentadas em 2001-03, ou seja, 56% da população (36% em 1990-92).

Na África subsaariana, a SIDA, as guerras e as catástrofes naturais “obstruíram as medidas tomadas para lutar contra a fome”, nomeadamente no Burundi, na Eritreia, na Libéria, na Serra Leoa e na República Democrática do Congo.

Segundo a organização, na República Democrática do Congo – teatro de 19 98 para 2002 de uma guerra regional – o número de pessoas subalimentadas triplicou entre 1990-92 e 2001-03, passando de 12 milhões para 36 milhões, ou seja, 72% da população.

A Ásia e o Pacífico, bem como a América Latina e as Caraíbas são as únicas zonas que registaram uma redução do número absoluto.

Para alterar a situação, a FAO insiste na necessidade de investimentos maciços na agricultura, em particular nas zonas rurais.

A FAO coloca nomeadamente a tónica sobre o “círculo vicioso da fome e a pobreza”, afirmando que a fome não é só uma consequência da pobreza mas igualmente um das suas causas, porque “prejudica gravemente a saúde e a produtividade d as pessoas e obstrui os esforços que realizam para escapar” ao seu destino.

Dez anos depois da Cimeira Mundial sobre a Alimentação representantes de mais de 120 países reúnem-se a partir de segunda-feira e até sábado, em Roma, para analisar os avanços mundiais nesta área.

Os ministros reunidos na 32ª sessão do comité de segurança alimentar mundial da FAO – que decorrerá em Roma entre 30 de Outubro e 04 de Novembro -, estudarão se poderá ser cumprido o objectivo fixado em 1996.

Fonte: Agroportal

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