A escalada do preço dos alimentos, em particular do arroz, pode desencadear conflitos sociais na Ásia, onde mil milhões de pessoas são directamente afectadas pela crise, alertou ontem, em Madrid, o ministro das Finanças japonês.
“O recente aumento dos preços do arroz vai atingir duramente os países da Ásia. Os mais afectados são os mais pobres, incluindo os pobres urbanos”, declarou Fukushiro Nukaga durante a Assembleia Geral do Banco Asiático de Desenvolvimento (BAD), a decorrer na capital espanhola até terça-feira.
“Isto terá um impacto negativo nas suas condições de vida e na sua alimentação. Esta situação pode levar a conflitos sociais”, acrescentou.
Segundo o ministro japonês, é necessário “adoptar medidas para satisfazer imediatamente as necessidades dos mais pobres”.
O preço do arroz tailandês, um dos mais utilizados na Ásia, é actualmente de cerca de 1.000 dólares (648 euros) a tonelada, o triplo do que era há um ano, quando se realizou a anterior assembleia do ABD, no Japão.
A nível global, os preços dos alimentos quase duplicaram em três anos, originando distúrbios em Abril no Egipto e Haiti, protestos noutros países e restrições às exportações no Brasil, Vietname, Índia e Egipto.
Nukaga alertou que as restrições às exportações aumentam os preços, enquanto os subsídios para ajudar os pobres a lidar com a questão poderão ser um fardo pesado para os orçamentos nacionais e “não são sustentáveis a prazo”.
Os subsídios alimentares no Bangladesh, um dos países mais pobres da Ásia, deverão duplicar no corrente ano fiscal e atingir 1,5 mil milhões de dólares (973 milhões de euros).
O BAD anunciou sábado, na abertura da reunião de quatro dias em Madrid, que vai disponibilizar ajuda financeira imediata aos países da Ásia mais afectados pela crise alimentar mundial.
A 29 de Abril, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, anunciou a criação de uma célula de crise para lidar com a questão da subida do preço dos alimentos e os consequentes problemas de fome.
Entre outras causas da crise, a ONU refere a falta de investimentos no sector agrícola, os subsídios que pervertem o comércio, os subsídios aos biocombustíveis, as más condições climatéricas e a degradação do meio ambiente.
Fonte: Agroportal
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