A comissária da Agricultura, Mariann Fischer Boel, avisou, ontem no Conselho de Ministros da Agricultura da União Europeia, os estados-membros da necessidade da sector do açúcar ceder mais das suas quotas de produção.
No primeiro ano da reforma do sector açucareiro, as indústrias venderam 1,5 milhões de toneladas de quotas a Bruxelas, a 730 euros por toneladas, ou seja, uma quantidade superior à esperada pelo executivo comunitário. Mas, no segundo ano, para o qual está projectada a remoção de cinco milhões de toneladas de açúcar do mercado, apenas 700 mil toneladas estão vendidas a Bruxelas.
«Se ocorrer uma redução da quota assim tão pequena, isto resultará num sério desequilíbrio do mercado do açúcar em 2007-2008, com stocks finais da ordem dos 8,7 milhões de toneladas em 30 de Setembro de 2008», afirmou Fischer Boel.
A comissária voltou, por isso, a aconselhar os produtores que não sejam capazes de competir ao preço de referência da UE (404 euros por tonelada) em 2009-2010 a «saírem agora para o seu próprio bem, assim como para o bem do equilíbrio global do mercado, em concordância com a lógica da nossa reforma», cita a Reuters.
De acordo com a reforma do açúcar, aprovada em 2005, está prevista a compra por parte de Bruxelas, ao longo de quatro anos, da quota de indústrias que queiram abandonar o sector, a 730 euros por tonelada nos primeiros dois anos e a 520 euros por tonelada até ao quarto ano.
No entanto, se o sector não tiver cedido quota suficiente ao fim dos quatro anos, a Comissão está disposta a aplicar uma quota compulsória para reequilibrar o mercado. É que «as nossas exportações estão limitadas (…) e, se não conseguirmos cumprir as metas na eliminação de quota, enfrentamos a realidade de realizar um corte de quota generalizado», afirmou a comissária da Agricultura.
Para a campanha 2006/2007, Irlanda, Itália e Espanha já beneficiaram da venda de quotas de produção de açúcar aos preços estabelecidos pela União Europeia, e Portugal e a Suécia também já têm cedido quota, embora em menor quantidade.
O que surpreende a comissária é a falta de adesão dos novos estados-membros a este esquema, já que pensa que as indústrias desses países não serão capazes de competir no mercado comunitário quando o preço do açúcar baixar drasticamente. «E a decisão tem de ser tomada antes de Janeiro».
A Comissão Europeia pretende que os estados-membros renunciem a seis milhões de toneladas de quota em quatro anos, sendo o prazo final para as candidaturas à renúncia de quotas o dia 31 de Janeiro de 2007, no sentido de reduzir quotas antes do início da campanha 2007/2008, que se iniciará em Outubro.
Fonte: Reuters e Confragi
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