Fiscalização não trava os caçadores furtivos

A caça ilegal, especialmente a nocturna, afigura-se como o problema mais grave de uma actividade que – apesar de, ano após ano, registar decréscimos sucessivos do número de candidatos a caçador – envolve 270 000 praticantes. São cerca de 3200 as zonas cinegéticas afectadas pelo furtivismo.

Jacinto Amaro, presidente da Federação Portuguesa de Caça, considera que “a estratégia está mal direccionada”. Afirma que ainda “não viu o SEPNA [Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente, departamento sob a alçada da GNR] a fiscalizar durante a noite. Os furtivos não actuam de dia”.

Por seu lado, Arménio Lança, líder da Confederação Nacional de Caçadores Portugueses, salienta que “são cada vez mais as informações sobre zonas de caça ‘invadidas’, sobretudo à noite, por ilegais, para caçar perdizes, lebres, javalis…É um fenómeno que aflige sobremaneira os gestores das reservas”.

O presidente da Federação de Caça e Pesca da Beira Interior – uma das maiores estruturas regionais do país -, João Carlos Lourenço, especifica “O furtivismo não está a ser combatido correctamente porque os agentes trabalham até às 20 horas e é a partir daí que os ilegais agem. Toda a caça é prejudicada, a maior e a menor”.

“O furtivismo não é fácil de controlar. À noite, é muito complicado apanhar alguém”, reforça José Cunha, dirigente do Clube de Caçadores de Lever.

Para Pedro Loureiro, caçador há cerca de 20 anos, a exiguidade de efectivos do SEPNA contribui para a expansão da caça ilegal “É preciso fiscalizar, mas também é necessário que haja meios humanos para isso”.

O chefe do SEPNA, major Amado, contrapõe que, no combate ao furtivismo nocturno, “procura-se actuar de forma mais objectiva, evitando bater o terreno por bater”. Acrescenta “Aos ilegais, basta esconderem-se que já não os vemos”. Para que as acções sejam mais eficazes, o responsável defende que a informação proveniente das associações “é vital para fiscalizar”. “Mas temos de continuar a melhorar”, reconhece.

Aliás, Jacinto Amaro realça que houve progressos aquando da transferência da fiscalização para a GNR. Porém, “desagrada que as autoridades estejam mais preocupadas com, por exemplo, o cadeado do que em andar a vigiar durante a noite, que é quando os furtivos matam caça indiscriminadamente”. “Os ilegais chegam a ganhar 250 euros por dez lebres”, acrescenta.

Na perspectiva de Arménio Lança, não se tem sentido efeitos positivos nas práticas fiscalizadoras. Inclusive, crê que houve “um aumento de furtivismo”.

João Carlos Lourenço julga que a passagem da vigilância para o SEPNA “foi prejudicial, porque, agora, os guardas-florestais não trabalham tanto durante a noite”.

“Há quem cace todo o ano e sabe-se disso, destroem-se nichos de espécies. A actividade está a ser mal fiscalizada, contudo, além disso, há um grande desrespeito por parte do caçador português”, observa Pedro Loureiro.

Major Amado “Batemos os terrenos, embora mais de dia do que à noite. Os furtivos, sabendo que estão a fazer mal, estão alerta. Apesar de fazermos muitas operações, a eficácia é menor do que se actuarmos com um objectivo definido. Nesse sentido, a coordenação com as associações surge como um dos pilares básicos para o êxito da fiscalização”.

Fonte: Jornal de Notícias

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