Os líderes do G8 cumpriram a sua promessa de não cercear a agenda da reunião de Gleneagles, na Escócia, devido aos atentados de anteontem, em Londres e, apesar de a declaração final ser largamente dominada pela luta contra o terrorismo, chegaram a acordo para acabar com os subsídios à exportação de produtos agrícolas – uma vitória de Bush e Blair -, decidiram aumentar a ajuda aos países pobres e até conseguiram uma solução de compromisso quanto às questões climáticas.
O terrorismo, que pela primeira vez desde os atentados de 11 de Setembro de 2001 nos EUA quase não constava da agenda, acabou por ocupar boa parte do comunicado final da reunião, face aos acontecimentos em Londres.
Os mais ricos comprometem-se mais uma vez a reforçar a cooperação para combater o terrorismo e anunciaram a intenção de promover melhores medidas de segurança nas linhas de metro e nos caminhos-de-ferro.
“Trabalharemos para melhorar a troca de informações sobre o movimento dos terroristas através das fronteiras internacionais, para avaliar e enfrentar a ameaça contra as infra-estruturas de transportes e para promover as melhores normas de segurança nas linhas de metro e nos caminhos-de-ferro”, lê-se no comunicado que EUA, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Canadá.
O G8 mostrou-se também mais unido nas questões climáticas, conseguindo chegar a uma solução de compromisso para contornar a recusa dos EUA em assinar o Protocolo de Quioto. Sobre este assunto, o comunicado, lido pelo primeiro-ministro britânico Tony Blair, além de anunciar uma conferência para “promover o diálogo”, no próximo dia 1 de Novembro, no Reino Unido, dá conta de um “acordo sobre um plano positivo de acção que inicie um novo diálogo”.
Blair anunciou também um aumento para 42 mil milhões de euros na ajuda aos mais pobres (o dobro do actual), que será direccionada para 18 países, 14 dos quais africanos. A Autoridade Nacional Palestiniana foi igualmente contemplada pelos mais ricos, com um auxílio de 2,5 mil milhões de euros.
O G8 chegou também a acordo sobre o fim dos subsídios às exportações agrícolas em 2010, o que pode ser encarado como uma derrota para os franceses e para a velha guerra, no seio da União Europeia, entre Paris e Londres. Recorde-se que George W. Bush propôs inesperadamente esta solução como forma de tornar mais competitivos os países pobres. A UE reagiu timidamente, apontando para 2015 a entrada em vigor dessa medida, mas o G8 decidiu-se por 2010, prevalecendo a posição de Bush, que deste modo ajuda Tony Blair.
Presente em Gleaneagles, o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, congratulou-se com as decisões do G8, especialmente no que diz respeito à ajuda aos países africanos.
Fonte: JN
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