A proibição dos galheteiros nos restaurantes portugueses levou ao aumento de 25% do preço do azeite e a um “acréscimo exponencial dos resíduos” das embalagens, que são “altamente poluentes”, segundo fonte da restauração.
Passados oito meses desde a obrigatoriedade de o azeite ser servido em embalagens invio- láveis, a Associação da Restauração e Similares de Portugal (ARESP) fez à Lusa um balanço da medida, contra a qual se manifestou “desde a primeira hora”.
Segundo uma portaria que entrou em vigor a 11 de Janeiro deste ano, o azeite para tempero no prato disponibilizado em restaurantes ou unidades hoteleiras “deve ser acondicionado em embalagens munidas de um sistema de abertura que perca a sua integridade após a primeira utilização e que não sejam passíveis de reutilização”.
Para cumprir a lei, os estabelecimentos podem disponibilizar o azeite em garrafas normais com uma tampa inviolável ou em unidoses, através de saquetas ou de garrafas pequenas.
A ARESP sempre se manifestou contra a medida e, agora, alega que a mesma “onerou em muito o produto azeite” e “em nada contribui para a valorização da gastronomia portuguesa”, constituindo “um violento ataque à tradição gastronómica do nosso país, tão vincada pelo uso do azeite nos seus pratos”.
Esta associação – que conta com 25 mil associados inscritos – lamenta ainda que a mudança tenha provocado “alterações profundas no funcionamento e gestão dos estabelecimentos”.
De acordo com os dados estatísticos recolhidos pela ARESP, o preço por litro do azeite registou um crescimento na ordem dos 25%, de 2005 para 2006. “É fácil constatar a existência de um aumento de custos para os estabelecimentos de restauração e bebidas, já demasiadamente fustigados pela actual conjuntura económica e por um sem-número de obrigações a que estão sujeitos”.
Outra das preocupações da associação, na altura em que a portaria entrou em vigor, prendia-se com o impacte ambiental da medida, que “poderia provocar um aumento da poluição ambiental, através da colocação no mercado de milhões de novas garrafas usadas, com resíduos de azeite, altamente poluidoras”.
Receios que a ARESP afirma terem-se concretizado: “É fácil depreender que assistimos, com certeza, a um acréscimo exponencial e preocupante destes resíduos altamente poluentes.”
A ARESP estima que os seus associados gastem um milhão de litros de azeite por mês. Cada empresa gasta mensalmente 40 litros de azeite, dos quais 17 litros são para consumo dos clientes para temperos.
Fonte: Diário de Notícias
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