Fim da caça pode prejudicar controlo da gripe das aves

A maior parte do despiste de gripe aviária em aves migratórias vindas de África vai ficar por fazer”. O alerta é do presidente da Federação Portuguesa de Caça (Fencaça), Jacinto Amaro, que lembra que a época de caça termina no domingo e que os caçadores vão deixar de poder recolher aves para análise. O Ministério da Agricultura diz que esse controlo passará a ser feito só pelo Instituto de Conservação da Natureza, que irá “intensificar” a monitorização das espécies perigosas.

“Até hoje, as nossas recolhas confirmaram rigorosamente que não há H5N1 em Portugal, mas se se verificarem mais casos em África poderemos estar mais vulneráveis”, diz Jacinto Amaro. E com o fim da época, só em Agosto será possível à Fencaça retomar o protocolo de colaboração com a Direcção-Geral de Veterinária (DGV), segundo o qual os caçadores recolhiam aves para entregar no Laboratório Nacional de Investigação Veterinária.

Contactado pelo DN, o porta-voz do Ministério da Agricultura confirmou que com o fim da época de caça termina o protocolo da DGV com os caçadores, mas assegurou que o controlo da chegada à Portugal de aves potencialmente portadoras do H5N1 não está posto em causa. Mais: será intensificado. “Todas as autoridades estão vigilantes”, sintetizou.

Vítor Encarnação, biólogo do Instituto de Conservação da Natureza (ICN), afirma que “o ICN vai reforçar as suas acções de monitorização”. Como tem feito até agora, “vai capturar as aves e fazer uma monitorização visual”. Para já, prestará maior atenção às aves vindas de África, “porque são as mais novas”.

Para o presidente da Fencaça, o cenário até é positivo: “Estou optmista, acredito que Portugal é um cantinho abençoado e que seremos os últimos a ter repercussões da propagação do vírus.” Mas “devemos estar atentos”. Por isso, Jacinto Amaro propõe “outro tipo de protocolo ou uma autorização especial para abater estas espécies”. Os caçadores são “os primeiros interessados” em vigiar o H5N1, até porque “são eles quem abate as aves, as depena e come” e por isso “são os primeiros elementos a enfrentar o perigo”.

Portugal é, segundo o ministro da Agricultura, Jaime Silva, “em média o país da UE que mais análises faz a aves suspeitas”. Até 15 de Fevereiro, foram realizados 1101 testes. Segundo Jacinto Amaro, só os caçadores recolheram 300 a 400 animais. E isto porque “a DGV não tem capacidade para receber mais”, acrescenta. O ICN é também responsável pelo encaminhamento de aves para o laboratório de testes, uma vez que muitas das espécies aquáticas migratórias – de onde se supõe que virá o perigo – não podem ser caçadas.

Portugueses preocupados

A gripe das aves preocupa cada vez mais os portugueses, que se revelam mais informados sobre a doença, embora tenham dúvidas em relação à vacina e aos medicamentos disponíveis para a tratar. Segundo um estudo do Observatório Nacional da Saúde, o grau de preocupação com a gripe aviária elevou-se entre Abril e Novembro de 2005.

Fonte: DN

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