Os produtores de leite portugueses apontam o dedo ao Governo no tempo que demora a licenciar uma exploração, que poderá arrastar-se por vários anos. A acusação é feita pelo Secretário-geral da FENALAC, Fernando Cardoso.
Segundo o responsável, o licenciamento é “demasiado lento e burocrático, o que provoca grandes estrangulamentos no sector. O ideal, seria tornar o processo mais rápido e mais ligeiro”.
Fernando Cardoso garante que o Governo comprometeu-se em apresentar, até ao final do mês de Julho, uma nova proposta de licenciamento, no âmbito do programa SIMPLEX, mas até à data ainda não foi nada avançado. “Não acredito que ainda seja possível cumprir este timing. O grave é que o Governo tem vindo a apresentar algumas alterações em áreas que não são tão urgentes e no sector do leite não tem feito nada”, acrescentou.
Sem acesso a fundos comunitários
Uma outra crítica da FENALAC diz respeito ao acesso aos fundos comunitários. Segundo Fernando Cardoso, o leite não tem prioridade de acesso às ajudas económicas no novo plano de desenvolvimento rural desenvolvido pelo Governo. Este programa aponta como áreas prioritárias o vinho, o azeite, a floresta e produtos de fileira, deixando para segundo plano o leite. “Os produtores não sabem se irão receber ou não apoios financeiras nem sequer têm noção das regras a cumprir para receber estas ajudas”, salientou ainda.
Para mudar esta lista de prioridades, a FENALAC reuniu com o Secretário de Estado da Agricultura, Luís Vieira, anunciando que “temos indicações que esta possa vir a ser alterada”. Todos estes obstáculos estão, segundo o Secretário-geral da Federação, a afastar os jovens para esta actividade, o que afecta o actual nível de oferta de leite. Recorde-se que a última campanha, que terminou no final de Março, revelou uma quebra de produção na ordem dos 5%, o que corresponde a um défice de 77 milhões de toneladas face à quota leiteira nacional.
Fonte: Anil
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