FDA Aprova Provisoriamente Leite Clonado para Alimentação Humana

Os norte-americanos vão poder comer bifes de animais clonados. A agência que regula o mercado dos alimentos e dos medicamentos nos EUA, a Food and Drug Administration (FDA), declarou ontem que os alimentos feitos com carne de animais clonados são seguros para a saúde e não precisam de ter nenhuma etiquetagem especial, para os distinguir dos animais que nasceram em resultado da reprodução sexual.

Há mais de cinco anos que a FDA estava a analisar a questão. Passado todo este tempo, concluiu que a carne de animais clonados é “indistinguível” da dos outros, quando os animais chegam a uma idade entre os seis e os 18 meses. “Assim, carne e leite de vacas, porcos, cabras e ovelhas clonadas pode ser consumida normalmente, como a que usamos todos os dias”, comentou Stephen Sundlof, director do Centro de Medicina Veterinária da FDA. A carne de animais clonados que depois se reproduziram pelo método tradicional também é segura. A aprovação final, contudo, só acontecerá daqui a alguns meses, porque a deliberação da FDA ficará agora em consulta pública.

Os que defendem esta medida sublinham que os animais clonados serão usados sobretudo para reprodução, e não tanto para abate – porque a clonagem, que implica produzir um animal que seja a fotocópia genética de outro, é ainda extremamente ineficaz e, logo, cara. Os animais clonados terão alguma característica excepcional que se pretenda seleccionar: por exemplo, porcos que engordam muito rapidamente, ou vacas que produzem muito leite. Depois de obter uma série de animais com estas características de excepção, a ideia é fazer com que se reproduzam pela via normal – aumentando assim o número de descendentes com características desejáveis numa determinada população.

Não será pois de prever que o mercado seja alimentado com costeletas de animais clonados. O que chegará aos supermercados e à mesa serão, sobretudo, a carne e o leite dos filhos de animais clonados. Só metade do seu património genético pertencerá ao animal clonado; o outro será do pai ou mãe que o geraram, pela via sexual, que permite a recombinação dos genes, quando um espermatozóide fertiliza um ovócito, refere a notícia do Público.

O que chega ao consumidor não serão produtos de “animais modificados geneticamente”, sublinhou Barb Glenn, da Organização da Indústria de Biotecnologia. “Os clones são simplesmente gémeos genéticos de outros animais escolhidos, que poderemos usar para reprodução.” É por não serem animais modificados que não deverá haver uma etiquetagem especial para os distinguir dos outros, defende Glenn. “Não queremos desinformar o público consumidor com mensagens que teriam implícita a ideia de que seria um produto diferente. Não há diferenças.”

Claro que alguns clones devem acabar na cadeia alimentar. Mas isso não deve acontecer tão cedo, porque está em vigor uma acordo feito pela FDA com os produtores de clones, de carne e produtos lácteos para manter estes animais fora do mercado. O acordo iniciou-se em 2001, e deve continuar em vigor, pelo menos enquanto decorre a consulta pública. Não é provável que o público americano se entusiasme com esta medida. Numa sondagem feita em Setembro pelo grupo independente Pew Initiative on Food and Biotechnology, 64 por cento dos inquiridos confessaram sentir-se desconfortáveis com a ideia de comerem carne de clones.

Fonte: Anil

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