A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) está a desenvolver um projecto global de apoio à agricultura urbana como ferramenta para o abastecimento alimentar das cada vez maiores cidades dos países em desenvolvimento.
É que, pela primeira vez na História, prevê-se que, este ano, a população urbana a nível mundial, que conta mais de três mil milhões de pessoas, ultrapasse em número a população rural. Em 2030, cerca de dois terços da população deverão habitar cidades e, em 2050, a população mundial deverá atingir os nove mil milhões.
Neste contexto, para a FAO, é fundamental garantir que as populações urbanas disponham de todos os alimentos necessários. Por isso, a organização encontra-se a desenvolver projectos de agricultura urbana e peri-urbana no sentido de dar auto-suficiências às populações das cidades.
Países como a República Democrática do Congo, Senegal, Gabão, Moçambique, Botswana, África do Sul, Namíbia, Egipto ou Mali já participam em iniciativas de agricultura urbana, que não entra em conflito com a produção agrícola tradicional. «Devido ao mau estado das estradas, o transporte para as cidades de produtos perecíveis (…) é, com frequência, impossível», explicou o consultor da FAO Wilfried Baudoin.
Com estes projectos, a FAO já ensinou centenas de famílias a produzir as suas próprias hortaliças em micro-hortas dentro das suas casas, usando garrafas de água reutilizadas ou pneus velhos. A técnica transmitida baseia-se no cultivo hidropónico, onde a água substitui a terra e os recipientes de cultivo podem ser colocados em qualquer local que disponha de espaço e luz suficientes.
Cada micro-horta pode produzir cerca de 25 quilos de verduras, como alfaces, feijões, tomates ou cebolas. Se se produzirem excedentes, podem ser vendidos a vizinhos ou a uma cooperativa que já foi criada precisamente para esse efeito.
Fonte: FAO e Confragi
Segurança Alimentar Desde 2004 a tratar da Segurança Alimentar em Portugal