A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) lançou a edição de Junho de 2006 das “Perspectivas Alimentares”, um documento no qual constata que os preços dos produtos agrícolas básicos têm sofrido de instabilidade, com forte tendência para a subida.
«Num clima de incerteza política e forte alta dos preços da energia, os mercados agrícolas tiveram que fazer frente, durante o ano passado, a uma série de adversidades, desde furacões devastadores à rápida propagação de doenças animais», justifica a organização em comunicado.
«Com base nas indicações actuais, diversos produtos agrícolas poderão experimentar uma maior instabilidade nos próximos meses e, em muitos casos, os produtos básicos poderão registar altas de preços ulteriores».
Em termos de importações, a FAO prevê que se verifique um aumento de dois por cento na factura a nível mundial, em 2006; facto que se deverá constatar mais nos sectores dos cereais e do açúcar e menos no sector da carne.
No que diz respeito à produção mundial de trigo a organização estima um decréscimo produtivo da ordem dos dez milhões de toneladas, num cenário em que se prevê o aumento da procura, o que pode conduzir a um volume de comércio mundial, em 2006/2007, de 110 milhões de toneladas.
Neste contexto, as reservas de trigo deverão sofrer uma forte redução; a relação reservas/utilização deverá baixar para os 25 por cento, que é o nível mais baixo das últimas três décadas. Os preços do trigo deverão permanecer altos e voláteis.
Em relação aos cereais secundários, a FAO sublinha o recente reforço dos preços internacionais devido a uma sólida procura do sector dos biocombustíveis, à potencial utilização dos mesmos como forragens e a uma menor disponibilidade do produto para exportações.
As “Perspectivas Alimentares” indicam que a produção mundial de cereais secundários deverá diminuir em 13 milhões de toneladas, resultando num equilíbrio delicado entre a oferta e a procura, com uma forte quebra das reservas mundiais e uma relação reservas/utilização da ordem dos 15 por cento.
A FAO avança, também previsões para o sector do açúcar, destacando que os preços mundiais alcançaram o nível mais alto dos últimos 25 anos, em Fevereiro passado. Esta situação ficou a dever-se à alta exponencial dos preços do petróleo e à permanência de um défice de oferta no mercado mundial pelo terceiro ano consecutivo.
Para 2005/2006, está previsto um aumento de três por cento na produção mundial, a par de uma subida de dois por cento no consumo. A maioria destas subidas deverão registar-se em países em desenvolvimento. Nos países ricos, o consumo deverá manter-se estagnado devido ao baixo crescimento demográfico e à preocupação dos consumidores com a saúde.
Finalmente, em relação à carne e produtos derivados, a FAO lembra a recuperação breve do sector em 2005. A situação não se revelou duradoura com a inquietude vivida no sector, em 2006, devido a doenças animais. O crescimento mais baixo do consumo dos últimos 25 anos, emparelhado com a incerteza em relação aos preços e com o aumento das restrições comerciais, poderá resultar na limitação da produção mundial de carne, em 2006.
Fonte: Confragi
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