FAO: o mundo deve aproveitar a oportunidade para impulsionar a agricultura

O Director Geral da FAO, Jacques Diouf, pediu ontem à comunidade internacional não só que actue de imediato para solucionar a actual crise alimentar mundial, mas também que aproveite a oportunidade que constitui o aumento dos preços dos alimentos e se evite que esta situação dramática se repita no futuro.

Em comunicado publicado ontem no sitio na Internet da FAO, Diouf assegurou que “chegou o momento de relançar a agricultura, e a comunidade internacional não deveria perder a oportunidade.”

O elevado preço dos produtos básicos alimentares necessita uma enfoque de dupla via, que inclua políticas e programas para ajudar milhões de pobres cujos meios de subsistência se encontram ameaçados, e que se dêem os passos para ajudar os camponeses no mundo em desenvolvimento a tirar partido da nova situação.

“Temos que produzir mais alimentos onde são precisos urgentemente para conter o impacto do aumento dos preços sobre os consumidores pobres, e ao mesmo tempo relançar a produtividade e expandir a produção para criar mais oportunidades de rendimentos e emprego para os pobres rurais”, assegurou Diouf.

“Devemos garantir que os pequenos camponeses têm o acesso adequado aos recursos hídricos e da terra e a factores de produção essenciais como sementes e fertilizantes. Isto permite-lhes aumentar a produção em resposta aos preços elevados, aumentando os seus rendimentos, melhorando os seus meios de subsistência e finalmente, beneficiando também os consumidores”, salientou o responsável da FAO.

Cimeira em Junho
A questão dos preços alimentares será debatida entre os próximos dias 3 a 5 de Junho quando os líderes mundiais se reunirem em Roma a convite da FAO para assistir à Conferência de alto nível sobre a Segurança Alimentar Mundial e os Desafios das Alterações Climáticas e a Bioenergia. Entre os participantes que já confirmaram a sua presença figuram os presidentes da França, Nicolas Sarkozy e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o Secretario Geral da ONU, Ban Ki-moon.

Enquanto os preços elevados dos alimentos agravam a insegurança alimentar e criam tensões sociais, existe o perigo de que a crise faça sombra às questões a longo prazo, advertiu Diouf.

“Para garantir -acrescentou- que os pequenos camponeses e as famílias rurais se beneficiem dos preços mais altos dos alimentos, precisamos criar um ambiente de políticas favoráveis que alivie os problemas com que se confrontam o sector privado, os camponeses e os comerciantes”.

Isto significaria alterar a tendência do nível de recursos públicos destinados à agricultura e desenvolvimento rural e investir mais em agricultura, destacou Diouf. Os investimentos do sector privado na agricultura e os sectores associados viriam depois se se realizassem investimentos adequados nos bens públicos.

Limitações, não apenas preços baixos
Além dos preços historicamente baixos, os camponeses nos países em desenvolvimento têm lutado contra limitações que incluem a falta de infra-estruturas como o transporte e as comunicações, acesso à tecnologia e serviços de extensão agrária, e sistemas de comercialização e crédito funcionando de forma correcta.

A falta de regadios, em especial na África subsaariana, era outro dos grandes problemas que deve ser resolvido. Quando os preços dos alimentos subiram de forma espectacular na década de 1970, muitos governos da Ásia optaram por investir em regadios e investigação agrícola, e isto constituiu um ponto de partida para um rápido crescimento da produtividade que salvou milhões de pessoas da fome e da pobreza, recordou Diouf.

“Hoje é preciso com urgência uma resposta similar, em particular na África subsaariana”, acrescentou.

No passado mês de Dezembro, a FAO lançou de forma urgente uma Iniciativa sobre a Subida dos Preços alimentares (ISFP, em inglês) para proporcionar a 37 Países de Baixos Rendimentos e Déficit Alimentar (PBIDA) as sementes e factores de produção necessários para aumentar a sua produção doméstica de alimentos. A FAO pediu 1 700 milhões de dólares americanos. para executar o plano.

Fonte: Agroportal

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