FAO: Difusão da Língua Azul confirma que doenças animais se estão a espalhar-se pelo mundo

A agência da ONU para a Agricultura e Alimentação (FAO) considera que a aparição recente febre catarral ovina (Língua Azul) no Reino Unido é um novo sinal de que as doenças animais ganham terreno por todo o mundo e que os países devem investir mais em detecção e luta.

“Nenhum país está livre das doenças animais” segundo Joseph Domenech, chefe dos serviços veterinários da FAO. “As doenças animais que anteriormente estavam confinadas aos países tropicais, espalham-se agora por todo o mundo. Elas não poupam as zonas temperadas como a Europa, os Estados-Unidos e a Austrália.”

A globalização, as deslocações de pessoas e de mercadorias, o turismo, a urbanização e, também, as alterações climáticas favorecem a propagação dos vírus animais à escala planetária.

“A mobilidade crescente dos vírus e dos seus vectores é uma nova ameaça que os países e a comunidade internacional devem ter em consideração. A despistagem precoce dos vírus bem como medidas de detecção e de luta são necessárias para uma protecção eficaz”, referiu o Sr. Domenech.

Como exemplo, A FAO lembra que a doença da Língua Azul foi inicialmente descoberta na África do Sul, chegou no final da década de 1990 ao Mediterrâneo e actualmente afecta vários países europeus, incluindo Portugal.

O responsável explicou que estas doenças se encontram “a ganhar terreno” e que a crescente mobilidade dos vírus e dos seus hospedeiros supõem “uma nova ameaça que os países e a comunidade internacional deveriam levar a sério”.

“A detecção precoce dos vírus, aliada a medidas de monitorização e controlo, são medidas defensivas necessárias”, frisou o responsável.

Joseph Domenech sublinhou que a adopção dessas medidas requerem um “forte apoio político e financiamento para melhorar a saúde animal e os serviços veterinários”, lamentando que “muitos países ainda não estejam preparados para enfrentar esta nova ameaça”.

Além do vírus da Língua Azul, a FAO lembrou que outros agentes portadores de doenças humanas e animais – que antes se encontravam confinadas a regiões tropicais -, tais como o vírus da malária ou Leishmaniose, se têm vindo a propagar internacionalmente.

Segundo a organização, os mosquitos que transmitem as principais patologias que afectam os humanos, como a febre-amarela ou o dengue, já chegaram aos países europeus e podem “tornar-se num problema de saúde pública”.

Fonte: Agroportal

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