Apesar do aumento do preço dos alimentos, a Organização das Nações Unidas reviu em alta as previsões de produção de cereais.
Não há sinais de uma iminente crise alimentar no mundo: os preços dos alimentos estão de facto mais altos, mas ainda assim um terço mais baixos do que em 2008, e as colheitas de cereais para 2010 vão bater recordes, com estimativas de 2,23 biliões de toneladas. A garantia foi dada na sexta-feira pelos responsáveis da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), que se reuniram de emergência com líderes políticos, a nível mundial, incluindo a Rússia.
Moscovo lançou o pânico de um regresso ao cenário da crise alimentar de 2008, ao decidir embargar até ao final de 2011 as exportações de trigo, depois de um Verão escaldante, com centenas de fogos florestais que destruíram 25% das colheitas. O resultado imediato foi uma subida dos preços do trigo, com a FAO a dar conta no relatório publicado ontem de um aumento entre 60 a 80% em Setembro, por comparação com Julho, com repercussões no preço de bens essenciais, como o pão.
Em Moçambique foi essa principal a causa da onda de violência que tomou conta do país durante uma semana, e matou 13 pessoas, quando a população viu o preço dos alimentos subir repentinamente.
Na sexta-feira, em cima da mesa em Roma estiveram precisamente os receios de um regresso à crise alimentar de há dois anos, que provocou motins e conflitos em várias partes do mundo. A somar ao embargo do trigo russo, também as recentes inundações registadas em, países asiáticos, como o Paquistão e a China, destruíram as plantações e adicionaram mais incerteza aos mercados.
“Falhas inesperadas nas colheitas em alguns dos principais países exportadores, seguidas de comportamentos especulativos, foram os principais factores por trás da recente escalada e volatilidade dos preços dos alimentos nos mercados mundiais”, disse o comunicado dos Grupos Inter-Governamentais da FAO, garantindo que os preços se mantêm um terço abaixo dos níveis mais elevados de 2008.
Apesar da situação na Rússia, a FAO prevê para este ano a terceira maior colheita de cereais da História: 2,23 biliões de toneladas, apenas 1% abaixo dos valores registados em 2009. “De acordo com as últimas previsões, a produção de cereais de 2010, em conjunto com os stocks existentes, deverá ser adequada para cobrir a procura mundial em 2010-2011”, disse a FAO no seu relatório. O consumo projectado de cereais ronda as 2,24 biliões de toneladas. Para os países desenvolvidos e em desenvolvimento, o ‘outlook’ da FAO para 2010 é “favorável”.
Pelo contrário, a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação diz que pelo menos 30 países no mundo vão necessitar de ajuda externa devido a problemas nas colheitas deste ano, 21 dos quais em África. De acordo com a FAO, a situação de crise alimentar “continua crítica” sobretudo na África Subsariana.
Um dos países mais afectados a nível mundial é o Paquistão, com severas inundações que afectaram 20,6 milhões de pessoas e destruíram as plantações de arroz.
Em resposta, a Agência Internacional para o Desenvolvimentos dos EUA (USAID) já prometeu contribuir com 16 milhões de dólares para a FAO com o objectivo de ajudar a recuperar as plantações de trigo no Paquistão. Na sequência das cheias no país, a FAO apelou a doações no valor de 107 milhões de dólares para financiar o Plano de Emergência para as Cheias no Paquistão da ONU.
Fonte: Económico
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